Nosce te ipsum

Autoconhecimento é a perda da inocência. -Alissa White-Gluz

autoconhecimentoFico observando o quanto estamos despreparados para receber uma crítica, e mais ainda, para sermos auto críticos. Vemos pelas redes sociais frases do tipo “alguém que fala mal de você te admira em segredo” e coisas do tipo querendo nos colocar acima do mal (algo que acredito que nenhum de nós está). Acho até mesmo burrice de uma pessoa achar que todas as pessoas que falam mal dela falam sem fundamento ou por inveja, chega a ser ridícula tamanha prepotência. Ora, nós não fazemos só o bem, e um dos males que fazemos também é falar dos outros. Quem nunca o fez atire a primeira pedra ou morda sua língua. Mas a questão aqui é outra. Será que me conheço tão bem a ponto de fazer uma crítica fiel e sensata àquilo que sou? Será que me conheço bem de fato? Esperamos muito das pessoas, mas será que fazemos por onde alcançar o devido reconhecimento que almejamos? Acho que poucos conseguem. E se o que você faz é em troca de reconhecimento, muito do mérito de suas obras é vão. Acredito que as críticas que muitas vezes tomamos por infundadas têm mais fundamento que imaginamos. Mas com é difícil sermos criticados. Pior se vem de alguém que deveria nos apoiar, pois amor de família e amigos deveria ser incondicional. Mas amor incondicional não é aceitar nossas falhas e só. Há uma frase bíblica que diz que fiel é a ferida feita pelo que ama. E se essa ferida vem em forma de uma crítica, que seja.

autoconhecimento2Não temos mais tempo de parar. Estamos ocupados demais correndo atrás de um emprego que pague bem, de bens de consumo, de estar na moda, de ter amigos, de tudo, e por mais que pareça clichê, estamos vendo o tempo passar e quando acordarmos, SE acordarmos, talvez seja tarde demais… Apesar de críticas contrárias, acredito sim que estamos vivendo na pós-modernidade, uma época de crise e de incertezas criada basicamente quando o mundo resolveu se tornar uma sociedade de consumo e carimbada com a queda do muro de Berlim em 1989. Exaurimos tudo nesta vida, menos nossas desculpas. Você se conhece de fato? Você é capaz de reconhecer em voz alta todos os seus defeitos? E depois disso, é capaz de trabalhar para mudar? Todos nós mudamos, sempre. A vida dá voltas que nem imaginamos (e este é um dos motivos para se viver despreocupados, o que tem seu lado bom e seu lado ruim) e, de fato, não somos mas as mesmas pessoas de ontem. A partir do momento que eu me conheço de verdade vou ser capaz de rebater as críticas que me fazem, não com palavras, mas com atitudes. Alguns se calam diante de uma crítica, o que é melhor, pois o silêncio tem um valor inaudito, mas o silêncio também precisa passar uma mensagem, pois de coisas vazias o mundo está cheio. Talvez você, como o filósofo, descubra que só sabe que nada sabe, mas nunca é tarde para começar uma jornada de autoconhecimento. Apenas comece…

Campo minado

despedaçadoVocê já teve um sonho, um sonho que esperou anos para realizar? É ótimo termos estes sonhos, algo que nos dá esperança de olhar para frente, como uma causa pessoal pela qual lutar. Pode ser algo pequeno, que só faz sentido para você. Uma conquista, um emprego, um carro novo, um apartamento, ou coisas menores e abstratas. Às vezes nos sentimos felizes por ter tais sonhos brotando dentro de nós que fazemos a besteira de compartilhar com os outros, alguém que não entende nem se importa, na verdade, com aquilo que estamos sentindo. E é aí que nos damos mal. As pessoas costumam ser cruéis, matando aquilo que para elas não é nada, mas que para você é um mundo inteiro. Pior quando vem de alguém que deveria apoiar você, estar ao seu lado, ou pelo menos, respeitar suas decisões. Pode ser que essas pessoas não façam nada para impedir, mas que elas digam palavras que trazem desânimo, e você simplesmente perde toda alegria do momento, quando você se viu tão perto de realizar aquilo que tanto sonhou. Verdade é que não devemos deixar os outros matarem nossos sonhos, temos que tomar as rédias da nossa vida. Mas e quando a pessoa que mata seus sonhos são seus pais? Você foi criado para obedecê-los e respeitar sua autoridade e muitas vezes tem medo de contrariar-lhes, medo de que algo ruim possa acontecer se você não os ouvir, afinal, eles já viveram mais que você, têm mais experiência. Ah! Como seria bom se todas as palavras de autoajuda fossem fáceis de se realizar, teríamos menos dores em nossos corações. Mas não é tão simples assim.

garoto_solitarioAgora pense na situação. Você está a cinco anos desempregado, correndo para todos os lados mandando currículos, fazendo concursos públicos, se inscrevendo em sites de emprego que você nem sabe se de fato são confiáveis, arriscando muito dando número de documentos, nome e endereço ao léu, de repente uma porta se abre, uma porta pequena, mas que já alivia aquela tensão de não ter certeza se irá um dia se recolocar no mercado de trabalho. Você está feliz, mas de repente, se vê em meio de conflitos em seu local de trabalho, e como recém-chegado você simplesmente não sabe para que lado correr. Você se volta para Deus pedindo graça para suportar e não cometer erros, você se policia a ponto de sentir-se neurótico com tudo e todos, e trabalha sob pressão com medo de ser pego em alguma falha que irá deixá-lo em maus lençóis caso ocorra. Sua única solução é se trancar em seu mundo, passar por cima de suas emoções (aquela vontade de gritar e mandar o outro se f****). Pois bem, estas são situações que eu tenho vivido estes últimos dias. Hoje, exatamente num sábado de setembro, me peguei chorando sozinho, pedindo a Deus uma luz, um lampejo de esperança para mudar esse quadro. Nada é como queremos, e no meu caso, acho que lutar contras tudo isso seria meio inútil, já que sei que quem mais tenho que mudar sou eu. Queria saber me relacionar com as pessoas, ser capaz de enfrentar conflitos com calma, paciência e coragem, e principalmente ser capaz de apostar no futuro e lutar por aquilo que sonho. Mas com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, nem sei por onde começar. E a batalha continua… Espero apenas sobreviver para contar uma nova história, quem sabe, com um final feliz.

Em Silêncio

desesperoJá prestaram atenção como os filmes de terror ou se passam de noite ou em lugares desertos? Pois é, assim é a vida de quem vivem em solidão. Deserta, noturna e cheia de incertezas e medos. Com um eterno paroxismo na alma, tentamos sobreviver dia após dia pensando como será nosso amanhã, se é que existe um para nós. Ah!… Suspiro imaginando quando algo diferente irá acontecer. Hoje a solidão se tornou lugar comum. Sufocamos no vazio, choramos para ninguém em especial e questionamos o por quê de tudo. Questionamentos são a ambivalência maior pela qual passamos. Ao passo que questionar não ajuda muito, também nos faz ir atrás de respostas, sejam elas boas ou más. Escrevo esta postagem em solidão absoluta. Ouço o tempo passar implacável e inexoravelmente rumo ao desconhecido e fico a pensar como será o fim de tudo, o fim destas dores. Sei que lamentar não ajuda, mas meu querido e estimado leitor, preciso expurgar este sentimento dentro de mim. Quem sabe amanhã possa eu sentir uma lufada de alívio para esta mão que aperta meu peito, que pressiona meu coração contra uma parede fria e me faz sentir tão deslocado. O medo é um companheiro tão fiel, e em um mundo carente de fidelidade, talvez devesse fazer as pazes com ele e tratá-lo melhor, afinal, ele já salvou minha vida algumas vezes. Mas a amizade com o medo é um relacionamento ambíguo. Tenho pesadelos constantemente, em parte culpa de um remédio que tomei, um antidepressivo que provoca tais efeitos, mas em parte por causa das cicatrizes. Os sonhos são a forma que seu subconsciente apresenta algo retido no seu interior. Segundo os cientistas, o pessimismo é um fator genético, logo não há muito o que fazer em relação a um pessimista. Junte-se as duas coisas e o resultado será uma pessoa não muito agradável para se ter por perto. E as pessoas em seu egoísmo não pensam duas vezes antes de se afastar. O mundo não tem paciência para oferecer e se seu coração se partir você terá que juntar os pedaços sozinho. É a velha filosofia de guerra: aceite que você já está morto e quem sabe, você sobreviverá. Hoje serei breve nas minhas palavras… Acho que não há muito a ser dito. O que sobra depois disto é apenas silêncio…

Relevante

Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana… Mas o quê? -Antoine de Saint-Exupéry

A-Lista-De-Schindler-Blu-rayJá disse aqui no Exalando a Alma o quanto gosto das histórias da Segunda Guerra Mundial. Já li vários livros a respeito e já assisti a vários filmes e séries de TV. Um dos livros que li se chama A Vida Em Tons De Cinza, da Ruta Sepetys, que é um romance histórico tomando por pano de fundo a situação dos lituânos levados para os Gulags na Sibéria. O booktrailer é tocante (se você clicar no link no nome do livro você encontrará o vídeo, recomendo que você assista), e retrata a luta, muitas vezes desumana, pela sobrevivência. Outro filme que me leva as lágrimas cada vez que assisto é a Lista de Schindler, que mostra de forma realista e visceral o sofrimento e a luta pela sobrevivência do povo judeu e de como um homem com força de vontade pode fazer a diferença e se colocar acima de um sistema cruel. Pelo que já li e estudei sei que a maioria do povo na Europa e Estados Unidos não estava se importando com a situação dos judeus. A importância e o impacto que o holocausto causa hoje não foi sentido naquele período, a não ser por aqueles que sofreram direta ou indiretamente com a matança feita pelas forças do eixo (que eram a Alemanha, Itália e Rússia). Mas o ponto a que quero chegar é exatamente qual a importância que damos hoje a vida? Assistindo a Lista de Schindler, uma das personagens diz “uma hora de vida ainda é vida”. Isso resume o apego que eles tinham ao que lhes restava, já que todos os bens e sua própria liberdade haviam sido tirados deles. Infelizmente, muitas vezes, só sabemos valorizar algo quando perdemos, e percebemos a importância que aquilo possuía em nossa vida. Ainda tem sido assim nos nossos dias. Buscamos ter ao invés de ser, buscamos o efêmero e fugidio ao perene. Qual a importância que temos dado a nossa vida? Gosto das histórias da Segunda Guerra porque além de mostrarem o que há de pior na humanidade, ela também conseguiu mostrar o que há de melhor, pois sim, sabemos ser nobres em face ao horror. Estas duas obras que citei mostram bem isso. Pessoas que levavam suas vidas, viviam suas rotinas até que de repente seus mundos foram assolados e seus alicerces destruídos, e não lhes sobrou outra opção a não ser lutar.

life-e1348973046829Eu já tive depressão. Não uma forte a ponto de precisar de remédios, mas uma amarga o suficiente para me fazer cogitar em dar fim a própria vida. Tive medo. A Morte não é algo ou alguém com quem devemos brincar, ela é velha demais para perder tempo nos dando chances. Tenho refletido muito sobre a importância da vida e do que posso fazer neste breve momento que estou aqui. Não tem sido fácil. Será que tenho valorizado as coisas certas? Será que tenho amado de forma satisfatória? Será que tenho vivido de forma correta? São muitos questionamentos e uma vida inteira para refletir sobre eles. O problema é que a vida não é tão longa para poder encontrar todas as respostas. Lutas, decepções, dificuldades, vicissitudes. São problemas que nos assolam constantemente e devemos estar preparados, pois viver é guerrear, e esta guerra não tem fim. Se nosso coração se despedaça o mundo não vai parar para que possamos remendá-lo. As pessoas que mais amamos muitas vezes são tiradas de nossas vidas num instante, não nos dando tempo de entender o que aconteceu. Há um mantra budista que diz “trate a todos com gentileza pois cada pessoa que você encontra enfrenta uma luta que você desconhece”. O que conhecemos por filosofia no ocidente, no oriente se chama de sabedoria por ter um cunho religioso por trás. Mas este é um fato. A história já nos presenteou com desgraças demais para simplesmente fazermos de conta que estamos seguros. Não estamos. O que tem sido relevante para você é o que realmente importa? Busque suas respostas, mas não perca tempo cogitando muitas coisas. Ninguém sabe quando será seu momento final, devemos estar todos preparados, pois como a Bíblia diz, a vida é um vapor, hoje existe e amanhã se esvai. Mas que possamos ser nobres, mesmo em face ao mal que nos rodeia, nós podemos sim. A história também tem nos presenteado com personagens ilustres e muitas vezes, anônimos, que souberam fazer a diferença, pois sabiam exatamente o que era relevante para eles. Homens que fizeram o que tinha de ser feito. Mulheres que se colocaram acima de sua dor. Não sei se tenho forças, mas posso ter esperança. E a minha esperança ninguém pode roubar de mim!

Necessidades…

amor-lc3adquidoAcabei de ler alguns estudos aqui na internet que falam do mal que a solidão pode trazer à vida das pessoas (Veja aqui e aqui). Há alguns meses li um livro chamado Amor Líquido, do Zygmunt Bauman (sou fascinado por este autor), cujo foco é a fragilidade dos relacionamentos nos dias atuais. Todos nós temos necessidades de relacionamentos, de estar com outras pessoas. Nós somos seres sociais e a ciência comprova o quanto a solidão pode ser nociva para o homem. Neste livro, Bauman fala sobre como é difícil manter relacionamentos, sobre os custos de se ter alguém na sua vida. É ótimo você ter um parceiro para os bons momentos, mas aturar os defeitos dos outros? É melhor não. O problema é que quando é nossa vez de errar, queremos alguém que nos suporte e nos entenda. Não queremos ser julgados, mesmo julgando a todo instante. Não queremos ser desprezados, mesmo não ligando para os tormentos dos outros. Não queremos ser incomodados mesmo necessitando muitas vezes da intervenção dos outros em nossas vidas. Meu Deus! A sociedade ocidental preza pelo fútil, pelo hedônico. Qual o propósito de se viver assim? O que aprenderemos deste jeito? Para onde correremos quando precisarmos de alguém? Eu não faço a menor ideia, só sei que cada dia que passa o mundo torna a existência mais sem graça. Muitos me criticam por pensar assim, mas quantos têm vivido a sombra da tristeza, do medo e da solidão e simplesmente não encontramos uma saída para estas pessoas. Eu mesmo tenho vivido assim. Não tenho uma visão positiva da existência. Não vejo motivo ou razão para existir. Não nos respeitamos, não respeitamos nosso meio ambiente, nosso planeta está morrendo, nossos recursos se exaurindo e a grande maioria só quer se sobressair em uma sociedade de consumo fútil, ignorante, líquida e por muitas vezes, desprezível. Já não sabemos, de fato, quem é nosso próximo. É mais fácil fechar os olhos, só que fazer de conta que não vemos os problemas não irá resolvê-los.

incógnitaÉ muito difícil resolver nossas necessidades primordiais quando estas dizem respeito às pessoas. Quero entender por que queremos tanto sem ter muito para dar em troca. Sei que eu mesmo sou falho em muitos aspectos que critico, é claro que tenho teto de vidro então, preciso direcionar minhas críticas primeiramente a mim. Mas até para estender a mão a alguém fica difícil, pois confiança é algo complicado. Muitos já foram tão feridos, tão humilhados por confiar que preferem se trancar em seu mundo e fazer de conta que são capazes de se virar sozinhos. Mas noite após noite seus medos e angústias as atormentam, e seus travesseiros são meros depositários de lágrimas. Ainda tem a preocupação com o futuro. Quanta incerteza para uma vida! Muitas vezes me pego pensando em meu futuro, na vida que gostaria de ter, no que posso fazer para mudar e nas dificuldades que posso enfrentar, e geralmente termino meus pensamentos me questionando se pelo menos vou terminar este dia ou se meu último suspiro está mais próximo do que imagino. Sair de casa para mim é uma luta, tenho medo. Encarar a vida já é motivo de medo suficiente. Mas o fato é que temos que encará-la. Não posso permitir que os pensamentos me derrubem. Faço um exercício mental que, apesar de parecer simples é muito difícil. Tento por na minha cabeça a ideia de que viver um dia de cada vez é suficiente. Tento entender que a vida dá voltas e que eu não sei como vou estar no futuro. Tento perceber que não há nada de mal acontecendo comigo no momento e que não tenho motivos para me preocupar. Olho a comida na despensa, as contas pagas, olho para os céus e tento agradecer a Deus por poder andar, respirar, ter uma casa para morar. Tento fazer isso como forma de sobreviver ao caos que é a vida. Não é algo que faço a muito tempo, na verdade comecei a mudar de atitude há alguns dias. Espero que tenha resultado, pois só me resta esperar que Deus faça um milagre, ou tudo será em vão…

Desabafo

angustia2Ah! A tristeza… Poderia ser um sentimento mais pessoal, mas infelizmente não é. Gustave  Flaubert dizia que a tristeza é um vício. E um vício mal compreendido. Muitos tentam apagar este vício com outros. Jogos, bebidas, drogas, sexo. Mas quando nos encaramos lá está o sentimento de novo a nos apertar o peito. E a sangrar e sangrar até que não reste mais nada a fazer a não ser se entregar ao vício da tristeza. Alguns dependem de tomar ansiolíticos, mas com certeza ela estará lá de novo encarando-os com seu olhar frio quando nenhum comprimido for mais capaz de subjugá-la. Estes dias têm sido de constante ansiedade para mim. Choro por dentro porque já não há mais o que chorar por fora. Quero desistir de tudo, mas ao mesmo tempo quero ter esperança de que tudo vai mudar. Meu Deus! Ah! Se ao menos algo fosse certo nesta vida além da morte. Se ao menos houvesse uma próxima para ter a chance de fazer tudo direito. Mas meu peito lateja dia após dia, noite após noite. Hoje foi um dia que gostaria de pular, mas a vida é uma escola da qual não podemos fugir. De um jeito ou de outro, da forma mais dolorida ela nos ensina suas lições. Alguns soldados antes de ir para a guerra são ensinados e se verem mortos, caso contrário eles não entrarão em batalha. Eu deveria ter sido ensinado a me ver assim mais cedo. Depois de um tempo fica difícil de assimilarmos tudo o que deveríamos. Deus, cansei de lamento. Se o Senhor realmente se importa, faça alguma coisa por mim, porque eu já não tenho mais ânimo. Se não houver mais o que fazer, me mata, é melhor que viver assim! Essa vida é uma inimiga poderosa e eu não vejo mais como me aliar a ela. Eu estou me afogando em lamentos e não vejo ninguém capaz de estender a mão. Cansei meus recursos, humanos são gélidos, assim como a vida que me cerca. Quisera haver outra chance, mas a vida não perdoa! E eu, só queria fugir disso tudo…

Roda Gigante

clamor-angustiaFalar de nossos medos para psicologia é algo positivo, já que você se livra daquilo que lhe sufoca, lhe deixa tenso. Mas infelizmente nem todos temos acesso a um psicólogo, e para as demais pessoas aturar os problemas dos outros é motivo suficiente para manter distância, o que pode nos deixar frustrados. Esse é o motivo de muitas pessoas vestirem uma capa de felicidade mas no fundo de suas almas estarem amarguradas e presas a um peso dentro de si muitas vezes insuportável. Deveras tenho me sentido assim. São momentos em que ora estamos bem, ora estamos mal, e essas variações ocorrem diversas vezes não ao longo dos meses ou dos dias, mas várias vezes dentro de um dia, diuturnamente. Medos são caçadores exímios e sanguinolentos, e se não formos presas astutas seremos massacrados. Várias vezes aqui no Exalando a Alma tratei de medos, daqueles que eram, que são, e dos que podem vir e ainda daqueles iminentes. Não apenas medo, mas dualidades, no meu caso entre o cristianismo e a homossexualidade. Um dos medos que mais me afligem é o medo da morte. Sei que é tolice temer a morte, definitivamente não há como evitá-la. Começamos a morrer no momento em que nascemos e, para mim, este é o grande paradoxo da vida. Outro medo que tenho é não entender o por quê de existir. A existência do tudo, do universo, da vida, do cosmo me intriga muito. Por que existe algo ao invés do nada? Absolutamente ninguém tem resposta. Por que alguns tem tanto na vida e outros padecem horrorosamente? Por que empatia se tornou um item raríssimo e luxuosíssimo em nossa sociedade? São muitos os questionamentos que carrego dentro de mim e sei que não sou o único. Hoje tem sido difícil me sentir bem. Meus dias se resumem a pensar no meu futuro, a tentar fazer algo para mudá-lo e simplesmente não obter êxito nenhum. Lassidão levou-me a ser um procrastinador compulsivo. O medo me levou à paralisia. Já tive depressão, é um poço fundo. Não sei como saí dele, mas não me afastei deste poço. Ainda caminho nas suas bordas e, apesar de balançar muitas vezes, tenho conseguido manter-me equilibrado.

dsc09850Para mim a melhor parte do dia é quando chega a noite e consigo dormir. Dormir e esquecer que existe uma vida cheia de dificuldades a serem superadas. Não me julgue caro leitor, não estou apenas lamentando. Eu tento. Acordo todos os dias, estudo, procuro emprego, respiro fundo, sorrio mesmo sem motivos. Mas quando tenho que encarar meus sentimentos eles pesam. Às vezes estou no alto da roda gigante e vislumbro um horizonte tão belo, mas logo ela desce e encaro um vale de lágrimas. Rodas gigantes se movem sem sair do lugar e sei que muitos estão presos a uma. Muitos como eu estão cheios de questionamentos, buscando respostas enquanto outros já desistiram e esperam apenas o fim desejando que ele não seja tão amargo e doloroso. Outros mantém a esperança que tudo mudará e outros trabalham para mudar tudo. Eu apenas me encontro no limiar das opções. Para quem aprendeu a controlar seus medos é fácil dar uma resposta. É muito fácil encontrar a solução. Mas soluções não caem prontas, muitas vezes precisam ser fabricadas, precisamos descobrir as ferramentas certas, a técnica menos agressiva. Além dos temores que descrevi, há o dualismo que vivo. Acredito em Deus, acredito na Bíblia, mas já não acredito que há solução para o que vivo. Queria poder assumir logo que sou homossexual, mas ainda tenho muito a perder. Queria poder dizer meu nome verdadeiro neste blog e estampar minha foto e simplesmente dizer “este sou eu”, mas o preço é alto demais e não tenho como pagar. Tenho um verdadeiro trauma de evangélicos. Hoje para mim eles representam o que tem de pior na humanidade ocidental. Claro que há exceções, mas são poucas. Queria realmente obter ajuda para meus dilemas. Não quero respostas niilistas, de pessoas que simplesmente desprezam aquilo que tenho dentro de mim. Então muitas vezes só me resta o silêncio. E com o silêncio vem o sufocar da alma. O que fazer? Eu não sei. Hoje estou novamente desconexo… Perdi a linha por causa das lágrimas que me turvam a visão. Estou começando a aceitar que a vida não deve ser vivida em busca de compreensão, mas de aceitação. O difícil é aceitar aquilo que levo comigo. Seja como for, ainda quero acreditar que enquanto há vida há esperança, mesmo que ela pareça distante. Se eu não perecer, quero acreditar que um dia a alcançarei…