Absinto

sindrome-do-pc3a2nicoA vida é amarga. Francamente não sei pra que existimos. Vivemos buscando motivos para sorrir e quando achamos geralmente são coisas fugidias e perdemos o sono tentando mantê-las. Nos matamos trabalhando para comprar coisas que não precisamos para mostra para quem não se importa, perdemos nossa saúde para ter tudo depois perdemos tudo tentando recuperar nossa saúde. Tentamos prolongar a vida por medo da morte e quando chegamos na velhice só queremos que ela acabe logo para recebermos o tão esperado descanso dessa jornada insalubre e sem futuro chamada vida. Sim, o futuro é a morte, eterna e silenciosa. Neste meio tempo que estamos aqui temos que descobrir se estamos de fato no caminho certo, um caminho recheado de incertezas, e quando encontramos alguém que tem certeza de algo geralmente é um fanático religioso que está mais apto a te matar do que te mostrar um caminho de paz. Certezas… Elas existem de fato? Acho que fui contaminado pelo pensamento pós-moderno. Ah! Como estou cansado desta vida. Mas como tenho medo de morrer e descobrir que estou no caminho errado. E seu eu passar a eternidade queimando no inferno? Visão aterradora. Injustiça. Dúvida. Minha boca jorra fel, sei disso. Tento desfocar desta visão de negatividade, mas sempre acabo voltado ao mesmo lugar. Não sei se há esperanças para alguém como eu, ela parece pura tolice. Pra que acreditar que tudo vai dar certo num mundo como esse? Pra que erguer a cabeça quando lá na frente sei que vou acabar tendo que baixá-la de novo, já que o peso que tenho que suportar não me abandona. Acordar todos os dias e colocar uma máscara de felicidade, falsa e dúbia felicidade, pode nos ajudar a suportar um pouco, esquecer da dor quando nos olhamos no espelho usando a máscara, mas quando chega a noite e precisamos nos despir de tudo e voltar a sermos nós mesmo, a dor volta, e muitas vezes a máscara deixa suas marcas, e dia após dia ela vai marcando cada vez mais fundo. Chega o momento que começa a latejar e nada mais consola. “Tudo passa, difícil é saber o que sobra” diz a letra da música. Fato. E o que sobra será suficiente? Rubem Alves disse certa vez que Deus protege uns e outros não, apenas. Ai que sorte. Quem dera, como dizem meus consoladores, que um carro, uma casa, um pouco de dinheiro no banco pudesse trazer felicidade. Mas tolos idiotas e obtusos, não sabem o que dizem. Que não haja perdão para eles. Indulgência é para os arrependidos de fato, não aos que se acham donos da razão, razão que falta à vida. Nada aqui faz sentido. Nada aqui parece ter rumo certo. Se a vida fosse um fluxograma fácil de seguir poderia ser monótona, mas pelo menos nos traria segurança. Foda-se, tudo tem um preço mesmo. Mas nada disso acontece. O absinto dentro de mim hoje é puro ódio, ódio por viver fora do que escolheria para mim. Maldito o dia em que nasci, em que anunciaram “nasceu um menino”! melhor seria nem escrever estas palavras, mas sufocá-las dentro de mim seria suicídio. E se for pra morrer, que seja lentamente, quem sabe estou errado e tudo muda no final. Quem sabe…

Teleologia

rhV9YO que é existir? Às vezes temos conceitos de certa forma claros em nossa mente sobre as coisas, mas quando nos fazemos a pergunta os conceitos somem, e com eles as nossas certezas. Sou um questionador nato, o que chega a irritar algumas pessoas. É difícil achar pessoas que queiram buscar respostas. A maioria apenas quer seguir em frente conformada com o que tem, sempre no mesmo patamar. Eu quero entender o que vim fazer aqui, e confesso que está muito difícil encontrar uma resposta. Há anos me pergunto por que existir? Por que fazer parte de um mundo cheio de dor e sofrimento onde poucos conseguem se encontrar, e aqueles que estão no topo chegam lá acompanhados do medo de cair? A vida não tem sido um mar de rosas, e que seja assim para eu não cair no conformismo. Mas como é difícil percorrer a senda da vida pelo caminho escuro. Não sou um otimista, aliás, por mais que os pessimistas me irritem, os otimistas o fazem com igual maestria. Você já deve ter percebido o quão perdido estou aqui. Sou cristão, mas francamente, a religião não tem sido satisfatória em me dar respostas. Ao longo do Exalando a Alma tenho compartilhado meus dramas e anseios, meus altos e baixos, minhas poucas alegrias e abundantes frustrações, e é latente a falta de nexo que a minha existência tem sido. A brutalidade da adolescência deixou suas marcas, deveria ter sido um período de aprendizado, era parte do cronograma da vida, mas foi apenas um período de medo. Hoje, adulto tento entender o porquê de tudo, tento encontrar uma razão de ter passado o que passei e o que posso tirar de lição disso. Sei que sou mais forte do que penso, afinal ainda estou aqui, trabalhando, estudando, tentando dar um rumo a minha vida. Mas como seria mais fácil se tivesse uma resposta clara.

espinho_01Falando na religião, acho que ela foi a maior responsável por fazer eu me perder. Freud explicava a religião como uma fuga do homem das suas responsabilidades, criando um deus para suprir a falta de um pai que seja responsável por ele. Frequentei a Assembleia de Deus, uma igreja histórica com uma história um pouquinho mentirosa criada por marqueteiros hábeis, mas que tem sim muita coisa positiva, não serei hipócrita de negar; a igreja que eu frequentava era liderada por um homem velho e rabugento, que mais botava medo nas pessoas do que demonstrava amor. Fui ensinado a obedecer sem questionar, e que o pastor era o “ungido de Deus e ninguém pode tocar nele” seja lá o que isso quer dizer, mas na prática era que tal indivíduo jamais poderia ser questionado. Você crescer assim, com alguém sem muita noção do que está fazendo é a receita para o estrago. Passei mais tempo com medo de ser castigado por Deus e ir para o inferno do que amando. Ora, o amor é o centro do cristianismo. A Bíblia diz que Deus é amor. Se você se diz cristão e não tem amor no coração, você está na religião errada. Bom, somado a isso e ao medo que tinha, passei grande parte da vida vegetando. Vivia na tríade casa-escola-igreja e mais nada. Nunca pude ter amizades, não podia viajar, sair, me divertir. Ir a um show era motivo de conspurcação pública por aquele pastor. Até que cheguei a decisão de mudar de igreja. Comecei a frequentar outra igreja, bem distante, literalmente em outra cidade. Viajava cerca de 40 minutos todo domingo para ir a esta igreja nova, mas só vi mais do mesmo. Até que cheguei a decisão de parar de frequentar a igreja. Hoje faço parte do movimento dos “desigrejados”. Pessoas que se intitulam cristãs, mas vivem sua religiosidade fora dos templos. É libertador na verdade, você poder viver livre de pressões, poder questionar e não aceitar que lhe manipulem em nome de Deus.

depressed-1-600x388Outro grande conflito que enfrente é em relação a minha homossexualidade. Algo que bate de frente com os dogmas da igreja. Não quero ser gay, não aceito isso. A pressão social ainda é forte, o Brasil místico/religioso ainda causa muito estrago na vida de um homossexual. Odeio lideranças políticas como Jean Wyllys; gostava de pessoas sensatas como Clodovil. Não há diálogo, só se vê classes se digladiando, cada um querendo ter mais razão que o outro e nenhum acordo se faz. Neste meio termo, há muitos como eu que não conseguem se assumir, vivem uma vida de aparências e sofrimentos, marcadas com lágrimas e até mesmo sangue, já que muitos carregam o estigma da violência em seus corpos. Para piorar a religião mais uma vez se intromete nas decisões pessoais. Lideranças como Silas Malafaia e Marco Feliciano têm causado um terrorismo terrível nesta nação. E infelizmente em briga de bandidos grandes a gente não se mete. A corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Conciliar tudo isso é quase impossível. Aqui eu volto ao início da reflexão. Qual o sentido disto tudo. Qual a finalidade da vida? Qual a finalidade de vivenciar isso? Crescer como ser humano? Poderia crescer de outra forma. Ajudar àquelas pessoas que passam o mesmo que eu? Já é triste uma pessoa passando por isso, imagina um grupo! A vida é curta demais para se perder tempo, e longa demais para ser suportada em silêncio. Não sei quando tudo isto chegará ao seu ocaso, só me resta seguir em frente. Seja o que Deus quiser, já que eu não sei mais o que querer.

Nosce te ipsum

Autoconhecimento é a perda da inocência. -Alissa White-Gluz

autoconhecimentoFico observando o quanto estamos despreparados para receber uma crítica, e mais ainda, para sermos auto críticos. Vemos pelas redes sociais frases do tipo “alguém que fala mal de você te admira em segredo” e coisas do tipo querendo nos colocar acima do mal (algo que acredito que nenhum de nós está). Acho até mesmo burrice de uma pessoa achar que todas as pessoas que falam mal dela falam sem fundamento ou por inveja, chega a ser ridícula tamanha prepotência. Ora, nós não fazemos só o bem, e um dos males que fazemos também é falar dos outros. Quem nunca o fez atire a primeira pedra ou morda sua língua. Mas a questão aqui é outra. Será que me conheço tão bem a ponto de fazer uma crítica fiel e sensata àquilo que sou? Será que me conheço bem de fato? Esperamos muito das pessoas, mas será que fazemos por onde alcançar o devido reconhecimento que almejamos? Acho que poucos conseguem. E se o que você faz é em troca de reconhecimento, muito do mérito de suas obras é vão. Acredito que as críticas que muitas vezes tomamos por infundadas têm mais fundamento que imaginamos. Mas com é difícil sermos criticados. Pior se vem de alguém que deveria nos apoiar, pois amor de família e amigos deveria ser incondicional. Mas amor incondicional não é aceitar nossas falhas e só. Há uma frase bíblica que diz que fiel é a ferida feita pelo que ama. E se essa ferida vem em forma de uma crítica, que seja.

autoconhecimento2Não temos mais tempo de parar. Estamos ocupados demais correndo atrás de um emprego que pague bem, de bens de consumo, de estar na moda, de ter amigos, de tudo, e por mais que pareça clichê, estamos vendo o tempo passar e quando acordarmos, SE acordarmos, talvez seja tarde demais… Apesar de críticas contrárias, acredito sim que estamos vivendo na pós-modernidade, uma época de crise e de incertezas criada basicamente quando o mundo resolveu se tornar uma sociedade de consumo e carimbada com a queda do muro de Berlim em 1989. Exaurimos tudo nesta vida, menos nossas desculpas. Você se conhece de fato? Você é capaz de reconhecer em voz alta todos os seus defeitos? E depois disso, é capaz de trabalhar para mudar? Todos nós mudamos, sempre. A vida dá voltas que nem imaginamos (e este é um dos motivos para se viver despreocupados, o que tem seu lado bom e seu lado ruim) e, de fato, não somos mas as mesmas pessoas de ontem. A partir do momento que eu me conheço de verdade vou ser capaz de rebater as críticas que me fazem, não com palavras, mas com atitudes. Alguns se calam diante de uma crítica, o que é melhor, pois o silêncio tem um valor inaudito, mas o silêncio também precisa passar uma mensagem, pois de coisas vazias o mundo está cheio. Talvez você, como o filósofo, descubra que só sabe que nada sabe, mas nunca é tarde para começar uma jornada de autoconhecimento. Apenas comece…

Campo minado

despedaçadoVocê já teve um sonho, um sonho que esperou anos para realizar? É ótimo termos estes sonhos, algo que nos dá esperança de olhar para frente, como uma causa pessoal pela qual lutar. Pode ser algo pequeno, que só faz sentido para você. Uma conquista, um emprego, um carro novo, um apartamento, ou coisas menores e abstratas. Às vezes nos sentimos felizes por ter tais sonhos brotando dentro de nós que fazemos a besteira de compartilhar com os outros, alguém que não entende nem se importa, na verdade, com aquilo que estamos sentindo. E é aí que nos damos mal. As pessoas costumam ser cruéis, matando aquilo que para elas não é nada, mas que para você é um mundo inteiro. Pior quando vem de alguém que deveria apoiar você, estar ao seu lado, ou pelo menos, respeitar suas decisões. Pode ser que essas pessoas não façam nada para impedir, mas que elas digam palavras que trazem desânimo, e você simplesmente perde toda alegria do momento, quando você se viu tão perto de realizar aquilo que tanto sonhou. Verdade é que não devemos deixar os outros matarem nossos sonhos, temos que tomar as rédias da nossa vida. Mas e quando a pessoa que mata seus sonhos são seus pais? Você foi criado para obedecê-los e respeitar sua autoridade e muitas vezes tem medo de contrariar-lhes, medo de que algo ruim possa acontecer se você não os ouvir, afinal, eles já viveram mais que você, têm mais experiência. Ah! Como seria bom se todas as palavras de autoajuda fossem fáceis de se realizar, teríamos menos dores em nossos corações. Mas não é tão simples assim.

garoto_solitarioAgora pense na situação. Você está a cinco anos desempregado, correndo para todos os lados mandando currículos, fazendo concursos públicos, se inscrevendo em sites de emprego que você nem sabe se de fato são confiáveis, arriscando muito dando número de documentos, nome e endereço ao léu, de repente uma porta se abre, uma porta pequena, mas que já alivia aquela tensão de não ter certeza se irá um dia se recolocar no mercado de trabalho. Você está feliz, mas de repente, se vê em meio de conflitos em seu local de trabalho, e como recém-chegado você simplesmente não sabe para que lado correr. Você se volta para Deus pedindo graça para suportar e não cometer erros, você se policia a ponto de sentir-se neurótico com tudo e todos, e trabalha sob pressão com medo de ser pego em alguma falha que irá deixá-lo em maus lençóis caso ocorra. Sua única solução é se trancar em seu mundo, passar por cima de suas emoções (aquela vontade de gritar e mandar o outro se f****). Pois bem, estas são situações que eu tenho vivido estes últimos dias. Hoje, exatamente num sábado de setembro, me peguei chorando sozinho, pedindo a Deus uma luz, um lampejo de esperança para mudar esse quadro. Nada é como queremos, e no meu caso, acho que lutar contras tudo isso seria meio inútil, já que sei que quem mais tenho que mudar sou eu. Queria saber me relacionar com as pessoas, ser capaz de enfrentar conflitos com calma, paciência e coragem, e principalmente ser capaz de apostar no futuro e lutar por aquilo que sonho. Mas com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, nem sei por onde começar. E a batalha continua… Espero apenas sobreviver para contar uma nova história, quem sabe, com um final feliz.

Em Silêncio

desesperoJá prestaram atenção como os filmes de terror ou se passam de noite ou em lugares desertos? Pois é, assim é a vida de quem vivem em solidão. Deserta, noturna e cheia de incertezas e medos. Com um eterno paroxismo na alma, tentamos sobreviver dia após dia pensando como será nosso amanhã, se é que existe um para nós. Ah!… Suspiro imaginando quando algo diferente irá acontecer. Hoje a solidão se tornou lugar comum. Sufocamos no vazio, choramos para ninguém em especial e questionamos o por quê de tudo. Questionamentos são a ambivalência maior pela qual passamos. Ao passo que questionar não ajuda muito, também nos faz ir atrás de respostas, sejam elas boas ou más. Escrevo esta postagem em solidão absoluta. Ouço o tempo passar implacável e inexoravelmente rumo ao desconhecido e fico a pensar como será o fim de tudo, o fim destas dores. Sei que lamentar não ajuda, mas meu querido e estimado leitor, preciso expurgar este sentimento dentro de mim. Quem sabe amanhã possa eu sentir uma lufada de alívio para esta mão que aperta meu peito, que pressiona meu coração contra uma parede fria e me faz sentir tão deslocado. O medo é um companheiro tão fiel, e em um mundo carente de fidelidade, talvez devesse fazer as pazes com ele e tratá-lo melhor, afinal, ele já salvou minha vida algumas vezes. Mas a amizade com o medo é um relacionamento ambíguo. Tenho pesadelos constantemente, em parte culpa de um remédio que tomei, um antidepressivo que provoca tais efeitos, mas em parte por causa das cicatrizes. Os sonhos são a forma que seu subconsciente apresenta algo retido no seu interior. Segundo os cientistas, o pessimismo é um fator genético, logo não há muito o que fazer em relação a um pessimista. Junte-se as duas coisas e o resultado será uma pessoa não muito agradável para se ter por perto. E as pessoas em seu egoísmo não pensam duas vezes antes de se afastar. O mundo não tem paciência para oferecer e se seu coração se partir você terá que juntar os pedaços sozinho. É a velha filosofia de guerra: aceite que você já está morto e quem sabe, você sobreviverá. Hoje serei breve nas minhas palavras… Acho que não há muito a ser dito. O que sobra depois disto é apenas silêncio…

Relevante

Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana… Mas o quê? -Antoine de Saint-Exupéry

A-Lista-De-Schindler-Blu-rayJá disse aqui no Exalando a Alma o quanto gosto das histórias da Segunda Guerra Mundial. Já li vários livros a respeito e já assisti a vários filmes e séries de TV. Um dos livros que li se chama A Vida Em Tons De Cinza, da Ruta Sepetys, que é um romance histórico tomando por pano de fundo a situação dos lituânos levados para os Gulags na Sibéria. O booktrailer é tocante (se você clicar no link no nome do livro você encontrará o vídeo, recomendo que você assista), e retrata a luta, muitas vezes desumana, pela sobrevivência. Outro filme que me leva as lágrimas cada vez que assisto é a Lista de Schindler, que mostra de forma realista e visceral o sofrimento e a luta pela sobrevivência do povo judeu e de como um homem com força de vontade pode fazer a diferença e se colocar acima de um sistema cruel. Pelo que já li e estudei sei que a maioria do povo na Europa e Estados Unidos não estava se importando com a situação dos judeus. A importância e o impacto que o holocausto causa hoje não foi sentido naquele período, a não ser por aqueles que sofreram direta ou indiretamente com a matança feita pelas forças do eixo (que eram a Alemanha, Itália e Rússia). Mas o ponto a que quero chegar é exatamente qual a importância que damos hoje a vida? Assistindo a Lista de Schindler, uma das personagens diz “uma hora de vida ainda é vida”. Isso resume o apego que eles tinham ao que lhes restava, já que todos os bens e sua própria liberdade haviam sido tirados deles. Infelizmente, muitas vezes, só sabemos valorizar algo quando perdemos, e percebemos a importância que aquilo possuía em nossa vida. Ainda tem sido assim nos nossos dias. Buscamos ter ao invés de ser, buscamos o efêmero e fugidio ao perene. Qual a importância que temos dado a nossa vida? Gosto das histórias da Segunda Guerra porque além de mostrarem o que há de pior na humanidade, ela também conseguiu mostrar o que há de melhor, pois sim, sabemos ser nobres em face ao horror. Estas duas obras que citei mostram bem isso. Pessoas que levavam suas vidas, viviam suas rotinas até que de repente seus mundos foram assolados e seus alicerces destruídos, e não lhes sobrou outra opção a não ser lutar.

life-e1348973046829Eu já tive depressão. Não uma forte a ponto de precisar de remédios, mas uma amarga o suficiente para me fazer cogitar em dar fim a própria vida. Tive medo. A Morte não é algo ou alguém com quem devemos brincar, ela é velha demais para perder tempo nos dando chances. Tenho refletido muito sobre a importância da vida e do que posso fazer neste breve momento que estou aqui. Não tem sido fácil. Será que tenho valorizado as coisas certas? Será que tenho amado de forma satisfatória? Será que tenho vivido de forma correta? São muitos questionamentos e uma vida inteira para refletir sobre eles. O problema é que a vida não é tão longa para poder encontrar todas as respostas. Lutas, decepções, dificuldades, vicissitudes. São problemas que nos assolam constantemente e devemos estar preparados, pois viver é guerrear, e esta guerra não tem fim. Se nosso coração se despedaça o mundo não vai parar para que possamos remendá-lo. As pessoas que mais amamos muitas vezes são tiradas de nossas vidas num instante, não nos dando tempo de entender o que aconteceu. Há um mantra budista que diz “trate a todos com gentileza pois cada pessoa que você encontra enfrenta uma luta que você desconhece”. O que conhecemos por filosofia no ocidente, no oriente se chama de sabedoria por ter um cunho religioso por trás. Mas este é um fato. A história já nos presenteou com desgraças demais para simplesmente fazermos de conta que estamos seguros. Não estamos. O que tem sido relevante para você é o que realmente importa? Busque suas respostas, mas não perca tempo cogitando muitas coisas. Ninguém sabe quando será seu momento final, devemos estar todos preparados, pois como a Bíblia diz, a vida é um vapor, hoje existe e amanhã se esvai. Mas que possamos ser nobres, mesmo em face ao mal que nos rodeia, nós podemos sim. A história também tem nos presenteado com personagens ilustres e muitas vezes, anônimos, que souberam fazer a diferença, pois sabiam exatamente o que era relevante para eles. Homens que fizeram o que tinha de ser feito. Mulheres que se colocaram acima de sua dor. Não sei se tenho forças, mas posso ter esperança. E a minha esperança ninguém pode roubar de mim!

Necessidades…

amor-lc3adquidoAcabei de ler alguns estudos aqui na internet que falam do mal que a solidão pode trazer à vida das pessoas (Veja aqui e aqui). Há alguns meses li um livro chamado Amor Líquido, do Zygmunt Bauman (sou fascinado por este autor), cujo foco é a fragilidade dos relacionamentos nos dias atuais. Todos nós temos necessidades de relacionamentos, de estar com outras pessoas. Nós somos seres sociais e a ciência comprova o quanto a solidão pode ser nociva para o homem. Neste livro, Bauman fala sobre como é difícil manter relacionamentos, sobre os custos de se ter alguém na sua vida. É ótimo você ter um parceiro para os bons momentos, mas aturar os defeitos dos outros? É melhor não. O problema é que quando é nossa vez de errar, queremos alguém que nos suporte e nos entenda. Não queremos ser julgados, mesmo julgando a todo instante. Não queremos ser desprezados, mesmo não ligando para os tormentos dos outros. Não queremos ser incomodados mesmo necessitando muitas vezes da intervenção dos outros em nossas vidas. Meu Deus! A sociedade ocidental preza pelo fútil, pelo hedônico. Qual o propósito de se viver assim? O que aprenderemos deste jeito? Para onde correremos quando precisarmos de alguém? Eu não faço a menor ideia, só sei que cada dia que passa o mundo torna a existência mais sem graça. Muitos me criticam por pensar assim, mas quantos têm vivido a sombra da tristeza, do medo e da solidão e simplesmente não encontramos uma saída para estas pessoas. Eu mesmo tenho vivido assim. Não tenho uma visão positiva da existência. Não vejo motivo ou razão para existir. Não nos respeitamos, não respeitamos nosso meio ambiente, nosso planeta está morrendo, nossos recursos se exaurindo e a grande maioria só quer se sobressair em uma sociedade de consumo fútil, ignorante, líquida e por muitas vezes, desprezível. Já não sabemos, de fato, quem é nosso próximo. É mais fácil fechar os olhos, só que fazer de conta que não vemos os problemas não irá resolvê-los.

incógnitaÉ muito difícil resolver nossas necessidades primordiais quando estas dizem respeito às pessoas. Quero entender por que queremos tanto sem ter muito para dar em troca. Sei que eu mesmo sou falho em muitos aspectos que critico, é claro que tenho teto de vidro então, preciso direcionar minhas críticas primeiramente a mim. Mas até para estender a mão a alguém fica difícil, pois confiança é algo complicado. Muitos já foram tão feridos, tão humilhados por confiar que preferem se trancar em seu mundo e fazer de conta que são capazes de se virar sozinhos. Mas noite após noite seus medos e angústias as atormentam, e seus travesseiros são meros depositários de lágrimas. Ainda tem a preocupação com o futuro. Quanta incerteza para uma vida! Muitas vezes me pego pensando em meu futuro, na vida que gostaria de ter, no que posso fazer para mudar e nas dificuldades que posso enfrentar, e geralmente termino meus pensamentos me questionando se pelo menos vou terminar este dia ou se meu último suspiro está mais próximo do que imagino. Sair de casa para mim é uma luta, tenho medo. Encarar a vida já é motivo de medo suficiente. Mas o fato é que temos que encará-la. Não posso permitir que os pensamentos me derrubem. Faço um exercício mental que, apesar de parecer simples é muito difícil. Tento por na minha cabeça a ideia de que viver um dia de cada vez é suficiente. Tento entender que a vida dá voltas e que eu não sei como vou estar no futuro. Tento perceber que não há nada de mal acontecendo comigo no momento e que não tenho motivos para me preocupar. Olho a comida na despensa, as contas pagas, olho para os céus e tento agradecer a Deus por poder andar, respirar, ter uma casa para morar. Tento fazer isso como forma de sobreviver ao caos que é a vida. Não é algo que faço a muito tempo, na verdade comecei a mudar de atitude há alguns dias. Espero que tenha resultado, pois só me resta esperar que Deus faça um milagre, ou tudo será em vão…