Perdas e Ganhos

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Perder para a razão, sempre é ganhar. -Aldo Novak

O guru da administração financeira, Jack Welch, prega que para podermos ganhar Perdaa longo prazo é preciso perder a curto prazo. Eu acredito que ganhar aquilo que tanto almejamos seja bom, mas as perdas nos ajudam a manter os pés no chão. Leio muito histórias da Segunda Guerra Mundial, a maior desgraça da história recente da humanidade, e tenho aprendido o que as perdas podem trazer de benefícios. Posso ser tachado de ‘apologista do sofrimento’, mas acredito no sofrimento e na dor como os melhores professores que teremos nesta vida. É claro que gosto do prazer, seja ele qual for desde que lícito (transgressão não me parece uma fuga perfeita), principalmente o prazer das descobertas. E algumas descobertas vêm com o sofrimento, mas fato é: a verdade liberta. A verdade é a melhor parte desta vida, seja qual for seu preço (sim, lágrimas, decepções, desilusões). Quem disser que a verdade não liberta nunca ouviu uma verdade digna de assim ser chamada.

Quanto as perdas em nossas vidas, sabe-se que é preciso se desvencilhar de coisas velhas para que novas possam entrar, mas muitas vezes agimos como perdaseganhosacumuladores compulsivos, e seguimos a vida guardando mágoas e rancores desnecessários que com o tempo tornam-se meros pesos mortos sobre nossas almas já fatigadas das lutas diárias. O perdão nos leva à perdas mais que necessárias; o amadurecimento nos faz reconhecer que cada dia devemos abrir mão de mais e mais pesos de estimação que nossa alma carrega. Quantos não já perderam um amor de vista por não querer perder a razão? Quantos já não perderam amizades preciosas por não abrir mão de um pouco do seu tempo? Eu já, e hoje sei que o arrependimento não me tem nenhuma utilidade, não a mesma que teriam amores que foram perdidos e amizades que foram roubadas pela minha ignorância em não saber investir naquilo que mais importava. Peço a Deus tempo para aprender a perder, para assim poder investir nas coisas que mais valem a pena nesta vida. Vamos valorizar o que é verdadeiro e duradouro, não o fugidio e quebradiço momento que temos nas mãos. Tenhamos mais fé e mais esperança. Como diz a Bíblia sobre o amor, tudo na vida vai acabar, só permanecendo a fé, a esperança e o amor. Destes o maior é o amor. Invistamos nele. O retorno pode não ser garantido, mas quanto mais você der mais satisfeito se sentirá consigo. Supere suas expectativas!

Fracassado

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É como se os nossos medos tivessem ganhado a capacidade de se autoperpetuar e se autofortalecer; como se tivesse adquirido um ímpeto próprio – e pudessem continuar crescendo unicamente com base nos seus próprios recursos. -Zygmunta Bauman, Modernidade Líquida

Entender o que passa conosco é uma tarefa complicada. Nós erramos, acertamos, praiaerramos de novo, tentamos acertar, erramos, tentamos consertar as coisas, alguns desistem outros esperam e outros continuam tentando (e errando, diga-se de passagem). Acho que sou uma mixórdia disso tudo. Hoje parei para analisar alguns acontecimentos da minha vida em que eu veementemente culpei os outros e, de verdade, senti vergonha de mim mesmo ao descobrir que fui o único culpado, algumas destas coisas até relatadas aqui no blog. Nossa, e como sempre, tenho um espírito irrequieto que tenta consertar aquilo que foi escangalhado, mas como é difícil lidar com as pessoas. Perdão custa caro demais, algumas vezes o preço é simplesmente impagável. Isso me entristece pois tenho consciência que todos erramos e todos queremos uma segunda chance, mas são pouco que estão dispostos a nos dar essa segunda chance. Muitas vezes, situações nos deixam com medo de tentar, e o medo só cresce, o tempo passa e quando se olha para trás percebe-se que poderíamos ter feito algo, mas simplesmente deixamos passar e ai vem o sentimento de fracasso, os questionamentos e tudo o mais.

Sei que não sou perfeito, sou um cara que teme muita coisa, me falta poesia para imagesver a vida com outros olhos e sobram julgamentos por não ser o paradigma aceitável de um homem do século XXI. Tenho medo constante e crescente de cometer os mesmos erros do passado, sei que mudei muito, mas tenho uma natureza e esta não me deixa em paz, incomoda constantemente. Maturidade é uma árvore que demora a crescer e requer cuidados especiais, muitas vezes é regada com lágrimas e adubada com muita vergonha, mas espero poder provar seus frutos e espero que sejam doces. Por estes dias me surpreendi quando alguém que sei que magoei muito me procurou, mas a frieza com que fui tratado me fez questionar se valeu a pena ter sido procurado (confesso que fui atrás algumas vezes). Sim, senti um fracassozinho pinicando meu ego por não ser capaz de lidar com meus sentimentos e com os sentimentos alheios… Odeio criar expectativas, mas não consigo evitar. A esta altura da vida já deveria ter aprendido a lidar melhor com as pessoas. Sinto vergonha de quem fui um dia. Acho que ainda sinto vergonha de quem sou. A vergonha é um sinal que carregamos para sempre. Alguns se habituam, outros a sentem latejar.

Talvez seja simplesmente inútil parar um momento para escrever sobre estes tristezatemores, escrever sobre meus fracassos, já que muitos consideram isto uma perda de tempo, e deveríamos simplesmente celebrar a beleza da vida blá, blá, blá, mas eu sei que a vida é cheia de vicissitudes, e nem só de beleza se vive, já que o que mais nos ensina a viver é a dor. A dor é a melhor professora que teremos, a melhor amiga, para alguns (reconheço que não é meu caso) ela é a única. Mas aqueles que sentem a dor sem medo são os seres humanos mais nobres que encontraremos. Talvez eu celebre minhas dores um dia, sentindo orgulho de cada ferida de batalha, assim como um soldado que, apesar das marcas, sabe que seu sofrimento foi para um bem maior. Quem sabe este dia venha a raiar amanhã mesmo. Até lá, só posso continuar tentando aprender a viver, já que não me dou a opção de sucumbir. Que venham os fracassos, eles não são os únicos galardões!

 

Amor Orgânico

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Folha_Chuva_OrgânicoO pai da sociologia, Émile Durkheim, cunhou os termos Solidariedade Mecânica e Solidariedade Orgânica. Solidariedade Mecânica diz respeito àquela cujo foco é nosso semelhante, aqueles que pensam como nós, que têm gostos e predileções como os nossos, ou seja, nosso círculo fechado; já a Solidariedade Orgânica busca exatamente o oposto, ajudar o diferente, abranger mais aqueles que em nada se parecem conosco. Acredito que o mesmo conceito se encaixe perfeitamente no amor. Se formos analisar, somos mais propensos amar àquelas pessoas que têm algo a nos oferecer em troca. Quem afinal quer se desgastar com algo ou alguém que não vai lhe beneficiar em nada? A princípio muitos de nós pensamos assim, se não na teoria, mas na prática este é exatamente o reflexo daquilo que almejamos no nosso íntimo. É assim acabamos aqui tendo nossa solidão reforçada na companhia de outros análogos. O amor tornou-se mecânico, principalmente neste lado do globo. Imagino o que Durkheim sentiria em nossos dias, quando simplesmente humanizamos as desigualdades e estamos nos afundando cada vez mais em uma dor solitária compartilhada apenas com nossos travesseiros, engolindo em seco cada lágrima que nos afoga em nome de uma força desconhecida e insensível que não sabemos onde se encontra. Ah! Quem dera cada interjeição fosse apenas uma alegria insone… Mas a realidade é outra.

ad163-recomec3a7oO amor orgânico soa como quimera, ilusão, utopia, e sua busca pode ser um pesadelo. Mas por que amar apenas o igual? Muito já falei da desilusão que tenho com o sistema religioso no qual fui criado, acho incompatível o que se prega hoje nas igrejas com o que se acha na Bíblia. Sou cristão convicto, acredito em Deus, mas confesso que acho quase impossível conviver com Seus seguidores. Muitas das minhas desilusões começaram dentro da igreja. Era o lugar onde esperava ser acolhido, respeitado e tratado. Mas hoje, sinceramente, me vejo bem melhor fora dela. Igreja não é lugar para pessoas como eu. Pode me chamar de tolo, de coitado o que quer que seja, mas ainda acredito que vou encontrar um amor orgânico, que seja para a vida toda. Meu coração precisa de ilusões (não entenda aqui no sentido negativo da palavra), mas preciso sonhar, fechar meus olhos e imaginar nem que seja por um segundo que há alguém capaz de me amar mesmo com minhas diferenças e meus defeitos e minhas loucuras… Que eu não venha suspirar e sonhar debalde… A vida precisa de sonhos, ainda que quase imperceptíveis de tão suaves. Acredito que a maioria de nós quer ser amado de forma orgânica, livre de convenções e cobranças descabidas, livres de julgamentos e acusações. Tenho certeza que uma pessoa que se sente amada consegue ser firme em si mesma e capaz de ir além daquilo que as convenções pregam. Ah!… Sonhar não custa nada. Que este sonho seja a semente que vai germinar em meu coração e também me faça capaz de ser um amante orgânico. Afinal, a mudança tem que começar em mim.

Inevitável

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Viver é sofrer, sobreviver é encontrar algum significado no sofrimento. -Paul Hoffman, em ‘O Bater de suas asas’

Ainda pensando nas palavras do autor ai em cima, tem uma frase neste mesmo livro que diz: o suficiente é como um banquete para o sábio. Viver dói. Simples. Eu 4hbcawtento sobreviver, e sim, tenho conseguido. Simplesmente não me sinto banqueteado e, se de fato o que nosso querido autor supracitado disse é verdade, não sou sábio, muito pelo contrário. Ainda busco o que não posso ter, ainda sofro pelo desconhecido e muitas vezes desprezo aquilo que está diante de mim. Mas, sejamos sinceros, quem, de fato, sabe aproveitar cem por cento daquilo que lhe vem à mão? Ninguém consegue. Mais uma vez estou a pensar nas vicissitudes da vida, e mais uma vez estou a me surpreender com as voltas que ela dá. O que mais me deixa comovido são as perdas que enfrentamos na vida, seja aquele brinquedo especial na infância com seu valor intrínseco, seja o primeiro amor da adolescência, até a perda mais cruel e inevitável de todas, a morte de alguém a quem amamos. As podas são mais que necessárias, mas vou ser sincero, apesar de sentir-me aliviado pelos fardos que consigo, com muito custo diga-se de passagem, me libertar, odeio estas podas. Ninguém está de fato preparado para mudanças, principalmente aquelas peremptórias que a vida resolve nos dar. Há alguns dias estava olhando fotos de infância, lembrei do tipo de garoto que fui, tinha um sorriso fácil, uma gargalhada solta e sempre uma palavra na ponta da língua… Não que hoje eu esteja em silêncio, mas o sorriso e a gargalhada se foram, poucos são os que me veem rir de verdade. Acho que isso acontece com todos nós, afinal, crescer nos modifica bem no âmago, na nossa essência. Modificar a essência é modificar todo nosso ser. Bauman defende que as mudanças sociais (e entenda-se aqui o “sociais” exatamente sendo o nosso contexto social), nos modifica por inteiro, inclusive o corpo. Duvida? Pense em quantos que sentem-se oprimidos neste momento e descontam suas frustrações na comida, ou aquelas pessoas que para serem aceitas esculpem seus corpos plastificando suas aparências e seus corações em troca de um afeto efêmero de seres tão vazios de autoconhecimento quanto elas mesmas… Eu prefiro me conformar. Acho que quem tiver de me aceitar vai ter que Solitário tristeaceitar como sou. Não sou um produto, me recuso ser transformado em um, mas, de verdade, é difícil aceitar-nos se não somos aceitos pelos outros. Afinal, somos seres sociais e dependemos sim da aprovação de outros. Se não da maioria, mas daquelas pessoas que fazemos nosso alicerce, nosso paradigma. Há pouco ouvia uma música cuja letra diz: son, sometimes it may seem dark, but the absence of the light is a necessary part (filho, às vezes, pode parecer escuro, mas a ausência da luz é uma parte necessária). A verdade é que conhecemos o bem por causa do mal, a luz por causa das trevas, e o prazer por causa da dor. Psicologia e lógica, quem sabe também uma pitada de paixão nestas humildes palavras. Esse maniqueísmo pode nos tornar fortes ou pusilânimes, a escolha é pessoal. Mas, será que há escolha? Para muitos não há, pois a dor é amiga íntima, diária e inevitável…

http://www.youtube.com/watch?v=u5WiqJFq2-o

Qual o sentido?

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Mas aqui não existem juízes. É só a guerra, guerra sem fim, e o máximo que a gente pode fazer é tentar não estar do lado errado. Mas quem, em nome de Deus, sabe qual é o lado certo? -Bernard Cornwell, 1356

Viver é sofrer, isso tem sido um axioma para muitas pessoas. Acordar em um dia chuvoso e tentar ter esperança de que dias melhores virão não é suficiente. A esperança escorreu pelos dedos e só nos resta inventar uma forma de sobreviver. Não, não é apenas lamento, é dor, pungente e tangível, de quem já não sabe mais o que fazer. Nós só temos paz quando nossos inimigos estão cansados demais para fazer guerra, só que o inimigo da maioria das pessoas é invisível, intangível, insensível… Senhor, viver da medo! Não que o medo seja desnecessário, afinal, ele nos dá limites, mas medo a ponto de você derramar sua alma como água corrente não pode fazer bem algum. Tenho sentido uma falta de esperança tão forte no meu coração. Me pergunto, pergunto a Deus por quê? Por que não consigo mudar, por que não consigo correr atrás de algo diferente? Qual o motivo? De novo, e de novo. Algumas vezes tento fazer de conta que não tenho problema, mas isso não o faz desaparecer. O futuro é apenas uma sombra, e como diria Pablo de Queiroz, tenho saudades daquilo que não vivi…

Penso na morte todos os dias. Ela nos espreita tão de perto, a vida é tão frágil, tão descartável. Sinceramente, sinceramente mesmo não há um dia que não me questione pra que existimos. Se tudo vai acabar, pra que, por Deus, eu precisei nascer, eu precisei existir, e existir para mim tem sido o mesmo que não existir. Por que existe algo? Por que não o nada. Uma existência vazia de significado não vai fazer de mim uma pessoa melhor. Me falta entendimento para tantas coisas. Queria ser capaz de ter um breve deslumbre que fosse do significado da vida, quem sabe eu pudesse mudar algo. A religião tenta dar estas respostas, mas francamente, quando eu era evangélico me sentia mais perdido que hoje. Não deixei de acreditar em Deus e me forço todos os dias para acreditar que Ele tenha algum propósito, mas não posso ser falso ou leviano com meus sentimentos (o que, na verdade me fez abandonar a Igreja, já que não conheço um evangélico ou católico capaz de ser sensível a dúvida alheia), não consigo ver sentido. O que vejo é uma guerra, e sinceramente, não sei se luto do lado certo. Só sei que estou ferido e sangrando como muitos no campo de batalha que é a vida. Só espero estar inteiro ao fim da guerra.

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