Sangue no Céu

30-artigoSentir medo é normal. A insegurança tem nos causado muita aflição, e nos dias de hoje insegurança é um lugar comum a todos. Certo pensador frisou que nos tempos antigos a insegurança era apenas um momento na vida das pessoas, mas hoje ela se tornou perene. Caos nas ruas, violência, política sem credibilidade, inflação no topo da nossa paciência e tantos motivos para desistir. Os índices de doenças mentais como depressão, síndrome do pânico e fobias têm aumentado vertiginosamente. A vida está uma loucura. Soma-se a isso nossas histórias de traumas, feridas e frustrações, e a mistura fica perigosa. Eu tenho me sentido extremamente temeroso do meu futuro. Vivo em uma guerra constante entre meu cristianismo e minha homossexualidade. Querem saber de fato? Peguei nojo de ambos. Aos defensores da causa gay sinceramente me questiono como algo que pode ter me feito tão mal pode ser certo para mim? Aos cristãos (especialmente os pentecostais, de onde saí), quero saber o que faz vocês pensarem que têm o direito de maltratar as pessoas? Hoje, eu não me imagino entrando em uma igreja. Tenho criado cada vez mais ódio de evangélico, tenho nojo, muito nojo do chamado “gospel”. Perdi muito tempo tentando achar respostas pra tudo que enfrentei até hoje e a verdade foi que não achei motivo nenhum. Se Deus fez todas as coisas, então posso deduzir que Ele me fez. Se Ele me fez, e nasci gay (quer você concorde ou não, pouco me importa já que EU passo por isso então EU sei de um fato: ninguém escolhe ser gay, se nasce gay), por que tenho que ser condenado por ser gay? Não quero desacreditar na Bíblia, mas queria que ela fosse mais clara, porque ela definitivamente não tem resposta nenhuma pro que vivo.

DEPRESSÃO 2Outra grande frustração que tenho foi ter sido criado tão preso. Tenho ódio da minha história. Amo minha família, mas tem horas que queria dar uma surra em cada membro dela, incluindo meus pais. Podem pensar o que quiserem de mim, mas uma das poucas felicidades que tive foi ver meu pai morto. Descobri essa felicidade alguns anos depois que ele morreu, quando vi que ele não fazia falta nenhuma na minha vida, quando comecei a pesar meu relacionamento com ele e vi que tinha mas prós em não ter ele por perto do que contras. Não tenho prazer na morte dele, mas tenho na ausência. Aliás, um pai que não é amigo, um pai em quem você não pode confiar para contar seus medos e suas fraquezas, um pai que não é capaz de entender suas frustrações e seu temores não serve pra nada. Ele vivia esfregando na minha cara que me dava de tudo; o safado só esqueceu do que ele me privou. Esqueceu que sempre trabalhei ao lado dele desde criança (ora, ele era pregador na igreja, conhecia a Bíblia mas nunca lembrou que o trabalhador e digno do seu salário [Lucas 10.7]); gostava de jogar na minha cara que Bíblia mada os filhos respeitarem os pais, mas se esqueceu que em seguida a Bíblia manda os pais não provocarem os filhos, e ele me provocava constantemente. Se o inferno existe, espero que ele esteja lá. Se eu não nasci gay, ele me fez ser um. Era o crentão de igreja, mas era safado. Não podia ver um menino que passava a mão no pinto deles disfarçado de brincadeira. e claro, fazia o mesmo comigo. Cansei de pedir as coisas pra ele, e ele dizer que só ia me dar se eu deixasse ele passar a mão em mim. Isso pra mim tem nome: pedofilia.

luvia2Mas infelizmente a família toda defendia esse patife. E a família é evangélica. Tenho uma tia que adorava gritar pra mim que meu pai me dava tudo do bom e do melhor. É uma velha estúpida, tão estúpida quanto o pai que tive. Contei uma vez a minha mãe que sou gay, ela simplesmente se jogou no chão, chorou e hoje faz de conta que nada acontece comigo. Vive dizendo que tenho que casar e ter filhos e cada vez que ela me diz isso tenho vontade de meter a mão na cara dela. Sofro de estresse, já parei no hospital por causa disso, mas ela não entende. A última vez que fui ao hospital por causa do estresse ela ainda ficou chateada comigo. Diz apenas que eu tenho que me controlar. Eu quero, por Deus como eu quero acreditar que existe um paraíso, um lugar onde vou descansar de tudo isso. Mas se a Bíblia estiver certa eu estou destinado ao lago de fogo e enxofre. Não sei o que fazer. Tenho temor a Deus, não quero ir pro inferno. Tenho um vazio nesta vida, não quero ficar só. Só tenho um amigo, que é meu amante. Passei a vida sacrificando relacionamentos por medo de errar e no fim das contas os sacrifícios formas apenas pedaços do meu coração que não serviram pra nada, pois nenhum fruto foi colhido disso. Estou deprimido, queri morrer. Eu não vejo sentido na vida. Eu não sei pra que nasci. Francamente a vida é uma merda, odeio tudo que vivo, tudo que passei. O que era pra ser meu paraíso está ensanguentado de tanto meu coração se machucar. Só queria que tudo acabasse logo…

Mutilado

[Silêncio]

cemitério-estatua-gótica-anjoBusquei uma citação para abrir esta postagem, mas não encontrei. Queria algo que me refletisse, mas não encontrei. Eu vou direto ao ponto. Me sinto ambivalente em relação a minha pessoa. Quero meu bem, afinal não posso me desassociar de mim, mas ao mesmo tempo, odeio quem sou. Quero muito mudar. Não por cobranças alheias, mas estou cansado de me arrepender do que faço, do que digo, do que sinto. Canso de não acertar. Errar é inevitável, mas a minha natureza me agride; não estou bem, minha saúde não está bem, meu emocional não está bem. Canso de ferir as pessoas que amo, de não saber demonstrar o que é mais importante a quem mais importa. Cada erro é com se arrancasse um pedaço de mim. Não posso cobrar amor das pessoas já que não sei amar. Mas eu fui ensinado na não saber amar, sou apenas uma produto do meio. Culpando outros? Mas é claro! É burrice demais esfaquear alguém e não esperar que ele sangre. Eu sangrei, e a cicatriz lateja. A ferida curou, mas a lição que ela me deixou acabou por me tornar indiferente às pessoas que estão próximas de mim. Ah! Como eu morro de inveja daqueles que têm amigos, muitos deles. Daqueles que têm para onde ir num fim de semana, que têm para quem ligar a qualquer hora, que podem brigar com um deles e ter outro a quem recorrer. Que não ficam mortos de vergonha de pedir ajuda quando precisam, e que recebem ajuda sem se sentir devedores. Eu não sei o que é isso. Tenho raiva da vida, ela é amarga. Só isso. Eu francamente não vejo proposito na existência. Pra quê existir? Vamos todos morrer, e ainda temos que sofrer entre o início e o fim. Qual a graça disso? Queria ter morrido na hora de nascer… Não levamos nada daqui mesmo… Desde que comecei este blog há dois anos lamento, lamento, lamento e nada mudou dentro de mim. Situações vieram e se foram, mas as tristezas só foram acrescidas. Hoje não me sinto um ser humano completo, apenas uma personagem em uma peça sem público, um monólogo mudo. Não sei que alguém vai ler isso aqui, já não importa. Não queria ser nada do que sou, mas não tenho escolha, o pior fardo que carrego na vida é ter que me suportar. Entendo aquelas pessoas que me abandonaram, mesmo quando não dei motivos (ou será que dei?). Seja como for, hoje minha esperança está perdida. Talvez eu a reencontre….

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 9.600 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 4 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Só mais um momento

Profunda-tristezaUma das coisas que me motiva a escrever são meus sentimentos. Não os bons, mas os maus. A tristeza é uma fonte de inspiração profunda, frio e calor, dor e prazer. No mês passado, novembro, eu não escrevi pois consegui viver relativamente tranquilo. Não que eu não tenha passado momentos tristes, mas nada profundo. Mas hoje, ah… chorei, e chorei copiosamente. Não sei o que se passa comigo, por que tanto medo dentro de mim quando aparentemente tudo vai bem. Mas será que vai bem mesmo? Acho que meu defeito é pensar demais, conjecturar sobre fatos que ainda não vieram a luz da existência, e sequer virão. Quem sabe? A vida é uma sucessão de desconexões. Isso é fato. Não estou preparado para viver. Ultimamente tenho sentido um medo absurdo da morte, de perde os meus amados, que são tão poucos. Olho para minha mãe e vejo os sinais da idade e sei que a qualquer momento ela pode ser tomada de mim. Gelo por dentro só de pensar. Levo uma vida solitária com minha família. Somos apenas três, e tudo que fazemos e por nós e para nós. Não temos muito a quem recorrer. Dependemos um do outro. Ah, mas isso me amedronta tanto. Acho a vida tão injusta, tão sem propósito. Pra que existir se vamos morrer? Pra que nascer se vamos sofrer? Pra quê? Por quê?

lagrimaQueria ser forte, entender de fato que a vida é assim mesmo, que todos morrerão, que todos passam na nossa vida apenas para se tornarem memória num futuro próximo. Passamos a vida correndo atrás de tantas coisas que acabamos esquecendo do que mais importa. Fiz uma viagem este fim de semana que foi maravilhosa. Pude parar um pouco, contemplar coisas maravilhosas. Mas houve momentos em que eu deveria me sentir feliz e me senti triste. Nem tudo é como esperamos. Muita coisa sairá de nosso controle, devemos aprender a superar, mas eu não sei como. Sei que sou capaz, mas não estou conseguindo achar o caminho. Quando cheguei em casa senti uma tristeza corrosiva. Meu peito doeu como há tempos não doía. Não consegui me reerguer. Talvez eu precise de tempo. Mas coisas boas são tão difíceis de me acontecer que quando passam me deixam pior que se não tivessem acontecido. às vezes a alegria parece uma maldição.  E assim eu caminho. Seja o que Deus quiser.

Absinto

sindrome-do-pc3a2nicoA vida é amarga. Francamente não sei pra que existimos. Vivemos buscando motivos para sorrir e quando achamos geralmente são coisas fugidias e perdemos o sono tentando mantê-las. Nos matamos trabalhando para comprar coisas que não precisamos para mostra para quem não se importa, perdemos nossa saúde para ter tudo depois perdemos tudo tentando recuperar nossa saúde. Tentamos prolongar a vida por medo da morte e quando chegamos na velhice só queremos que ela acabe logo para recebermos o tão esperado descanso dessa jornada insalubre e sem futuro chamada vida. Sim, o futuro é a morte, eterna e silenciosa. Neste meio tempo que estamos aqui temos que descobrir se estamos de fato no caminho certo, um caminho recheado de incertezas, e quando encontramos alguém que tem certeza de algo geralmente é um fanático religioso que está mais apto a te matar do que te mostrar um caminho de paz. Certezas… Elas existem de fato? Acho que fui contaminado pelo pensamento pós-moderno. Ah! Como estou cansado desta vida. Mas como tenho medo de morrer e descobrir que estou no caminho errado. E seu eu passar a eternidade queimando no inferno? Visão aterradora. Injustiça. Dúvida. Minha boca jorra fel, sei disso. Tento desfocar desta visão de negatividade, mas sempre acabo voltado ao mesmo lugar. Não sei se há esperanças para alguém como eu, ela parece pura tolice. Pra que acreditar que tudo vai dar certo num mundo como esse? Pra que erguer a cabeça quando lá na frente sei que vou acabar tendo que baixá-la de novo, já que o peso que tenho que suportar não me abandona. Acordar todos os dias e colocar uma máscara de felicidade, falsa e dúbia felicidade, pode nos ajudar a suportar um pouco, esquecer da dor quando nos olhamos no espelho usando a máscara, mas quando chega a noite e precisamos nos despir de tudo e voltar a sermos nós mesmo, a dor volta, e muitas vezes a máscara deixa suas marcas, e dia após dia ela vai marcando cada vez mais fundo. Chega o momento que começa a latejar e nada mais consola. “Tudo passa, difícil é saber o que sobra” diz a letra da música. Fato. E o que sobra será suficiente? Rubem Alves disse certa vez que Deus protege uns e outros não, apenas. Ai que sorte. Quem dera, como dizem meus consoladores, que um carro, uma casa, um pouco de dinheiro no banco pudesse trazer felicidade. Mas tolos idiotas e obtusos, não sabem o que dizem. Que não haja perdão para eles. Indulgência é para os arrependidos de fato, não aos que se acham donos da razão, razão que falta à vida. Nada aqui faz sentido. Nada aqui parece ter rumo certo. Se a vida fosse um fluxograma fácil de seguir poderia ser monótona, mas pelo menos nos traria segurança. Foda-se, tudo tem um preço mesmo. Mas nada disso acontece. O absinto dentro de mim hoje é puro ódio, ódio por viver fora do que escolheria para mim. Maldito o dia em que nasci, em que anunciaram “nasceu um menino”! melhor seria nem escrever estas palavras, mas sufocá-las dentro de mim seria suicídio. E se for pra morrer, que seja lentamente, quem sabe estou errado e tudo muda no final. Quem sabe…

Teleologia

rhV9YO que é existir? Às vezes temos conceitos de certa forma claros em nossa mente sobre as coisas, mas quando nos fazemos a pergunta os conceitos somem, e com eles as nossas certezas. Sou um questionador nato, o que chega a irritar algumas pessoas. É difícil achar pessoas que queiram buscar respostas. A maioria apenas quer seguir em frente conformada com o que tem, sempre no mesmo patamar. Eu quero entender o que vim fazer aqui, e confesso que está muito difícil encontrar uma resposta. Há anos me pergunto por que existir? Por que fazer parte de um mundo cheio de dor e sofrimento onde poucos conseguem se encontrar, e aqueles que estão no topo chegam lá acompanhados do medo de cair? A vida não tem sido um mar de rosas, e que seja assim para eu não cair no conformismo. Mas como é difícil percorrer a senda da vida pelo caminho escuro. Não sou um otimista, aliás, por mais que os pessimistas me irritem, os otimistas o fazem com igual maestria. Você já deve ter percebido o quão perdido estou aqui. Sou cristão, mas francamente, a religião não tem sido satisfatória em me dar respostas. Ao longo do Exalando a Alma tenho compartilhado meus dramas e anseios, meus altos e baixos, minhas poucas alegrias e abundantes frustrações, e é latente a falta de nexo que a minha existência tem sido. A brutalidade da adolescência deixou suas marcas, deveria ter sido um período de aprendizado, era parte do cronograma da vida, mas foi apenas um período de medo. Hoje, adulto tento entender o porquê de tudo, tento encontrar uma razão de ter passado o que passei e o que posso tirar de lição disso. Sei que sou mais forte do que penso, afinal ainda estou aqui, trabalhando, estudando, tentando dar um rumo a minha vida. Mas como seria mais fácil se tivesse uma resposta clara.

espinho_01Falando na religião, acho que ela foi a maior responsável por fazer eu me perder. Freud explicava a religião como uma fuga do homem das suas responsabilidades, criando um deus para suprir a falta de um pai que seja responsável por ele. Frequentei a Assembleia de Deus, uma igreja histórica com uma história um pouquinho mentirosa criada por marqueteiros hábeis, mas que tem sim muita coisa positiva, não serei hipócrita de negar; a igreja que eu frequentava era liderada por um homem velho e rabugento, que mais botava medo nas pessoas do que demonstrava amor. Fui ensinado a obedecer sem questionar, e que o pastor era o “ungido de Deus e ninguém pode tocar nele” seja lá o que isso quer dizer, mas na prática era que tal indivíduo jamais poderia ser questionado. Você crescer assim, com alguém sem muita noção do que está fazendo é a receita para o estrago. Passei mais tempo com medo de ser castigado por Deus e ir para o inferno do que amando. Ora, o amor é o centro do cristianismo. A Bíblia diz que Deus é amor. Se você se diz cristão e não tem amor no coração, você está na religião errada. Bom, somado a isso e ao medo que tinha, passei grande parte da vida vegetando. Vivia na tríade casa-escola-igreja e mais nada. Nunca pude ter amizades, não podia viajar, sair, me divertir. Ir a um show era motivo de conspurcação pública por aquele pastor. Até que cheguei a decisão de mudar de igreja. Comecei a frequentar outra igreja, bem distante, literalmente em outra cidade. Viajava cerca de 40 minutos todo domingo para ir a esta igreja nova, mas só vi mais do mesmo. Até que cheguei a decisão de parar de frequentar a igreja. Hoje faço parte do movimento dos “desigrejados”. Pessoas que se intitulam cristãs, mas vivem sua religiosidade fora dos templos. É libertador na verdade, você poder viver livre de pressões, poder questionar e não aceitar que lhe manipulem em nome de Deus.

depressed-1-600x388Outro grande conflito que enfrente é em relação a minha homossexualidade. Algo que bate de frente com os dogmas da igreja. Não quero ser gay, não aceito isso. A pressão social ainda é forte, o Brasil místico/religioso ainda causa muito estrago na vida de um homossexual. Odeio lideranças políticas como Jean Wyllys; gostava de pessoas sensatas como Clodovil. Não há diálogo, só se vê classes se digladiando, cada um querendo ter mais razão que o outro e nenhum acordo se faz. Neste meio termo, há muitos como eu que não conseguem se assumir, vivem uma vida de aparências e sofrimentos, marcadas com lágrimas e até mesmo sangue, já que muitos carregam o estigma da violência em seus corpos. Para piorar a religião mais uma vez se intromete nas decisões pessoais. Lideranças como Silas Malafaia e Marco Feliciano têm causado um terrorismo terrível nesta nação. E infelizmente em briga de bandidos grandes a gente não se mete. A corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Conciliar tudo isso é quase impossível. Aqui eu volto ao início da reflexão. Qual o sentido disto tudo. Qual a finalidade da vida? Qual a finalidade de vivenciar isso? Crescer como ser humano? Poderia crescer de outra forma. Ajudar àquelas pessoas que passam o mesmo que eu? Já é triste uma pessoa passando por isso, imagina um grupo! A vida é curta demais para se perder tempo, e longa demais para ser suportada em silêncio. Não sei quando tudo isto chegará ao seu ocaso, só me resta seguir em frente. Seja o que Deus quiser, já que eu não sei mais o que querer.

Nosce te ipsum

Autoconhecimento é a perda da inocência. -Alissa White-Gluz

autoconhecimentoFico observando o quanto estamos despreparados para receber uma crítica, e mais ainda, para sermos auto críticos. Vemos pelas redes sociais frases do tipo “alguém que fala mal de você te admira em segredo” e coisas do tipo querendo nos colocar acima do mal (algo que acredito que nenhum de nós está). Acho até mesmo burrice de uma pessoa achar que todas as pessoas que falam mal dela falam sem fundamento ou por inveja, chega a ser ridícula tamanha prepotência. Ora, nós não fazemos só o bem, e um dos males que fazemos também é falar dos outros. Quem nunca o fez atire a primeira pedra ou morda sua língua. Mas a questão aqui é outra. Será que me conheço tão bem a ponto de fazer uma crítica fiel e sensata àquilo que sou? Será que me conheço bem de fato? Esperamos muito das pessoas, mas será que fazemos por onde alcançar o devido reconhecimento que almejamos? Acho que poucos conseguem. E se o que você faz é em troca de reconhecimento, muito do mérito de suas obras é vão. Acredito que as críticas que muitas vezes tomamos por infundadas têm mais fundamento que imaginamos. Mas com é difícil sermos criticados. Pior se vem de alguém que deveria nos apoiar, pois amor de família e amigos deveria ser incondicional. Mas amor incondicional não é aceitar nossas falhas e só. Há uma frase bíblica que diz que fiel é a ferida feita pelo que ama. E se essa ferida vem em forma de uma crítica, que seja.

autoconhecimento2Não temos mais tempo de parar. Estamos ocupados demais correndo atrás de um emprego que pague bem, de bens de consumo, de estar na moda, de ter amigos, de tudo, e por mais que pareça clichê, estamos vendo o tempo passar e quando acordarmos, SE acordarmos, talvez seja tarde demais… Apesar de críticas contrárias, acredito sim que estamos vivendo na pós-modernidade, uma época de crise e de incertezas criada basicamente quando o mundo resolveu se tornar uma sociedade de consumo e carimbada com a queda do muro de Berlim em 1989. Exaurimos tudo nesta vida, menos nossas desculpas. Você se conhece de fato? Você é capaz de reconhecer em voz alta todos os seus defeitos? E depois disso, é capaz de trabalhar para mudar? Todos nós mudamos, sempre. A vida dá voltas que nem imaginamos (e este é um dos motivos para se viver despreocupados, o que tem seu lado bom e seu lado ruim) e, de fato, não somos mas as mesmas pessoas de ontem. A partir do momento que eu me conheço de verdade vou ser capaz de rebater as críticas que me fazem, não com palavras, mas com atitudes. Alguns se calam diante de uma crítica, o que é melhor, pois o silêncio tem um valor inaudito, mas o silêncio também precisa passar uma mensagem, pois de coisas vazias o mundo está cheio. Talvez você, como o filósofo, descubra que só sabe que nada sabe, mas nunca é tarde para começar uma jornada de autoconhecimento. Apenas comece…