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Exalando a Alma

Reflexões de uma alma solitária

Evasivo…

DepresyonJá faz um tempo que não escrevo. Ultimamente tenho fugido, na verdade, de expor qualquer sentimento meu. Sei lá, parece que não resolve. Das coisas mais constantes que me afetam a ansiedade e o estresse são as mais fortes, um medo irracional (ou não) do futuro. Antigamente eu ficava divagando a respeito das pessoas que escondem seus sofrimentos. Eu era mais expressivo, transparente quanto aquilo que sentia. Achava ignorância esconder o peso do sofrimento. Hoje tenho feito exatamente isso e sabe por quê? Ninguém se importa. Reclamar da dor é dar um grito ao vento. Meu coração sofre demais não encontrar alguém com empatia pra me ajudar nas horas mais duras. Eu não sei o que é alegria faz tempo, mas também já não tenho sentido tanta tristeza. pode parecer algo positivo mas acredite, não sentir nada é bem pior. Você se sente um mero saco de ossos vagando por aí. Nada mais da prazer. Há muito tempo sinto dores no corpo, problemas diversos de saúde que resolvi procurar vários especialistas. O último que fui foi um clínico geral, e nas palavras dele se eu não resolver meus problemas psicológicos morrerei cedo. Falou assim, curto e grosso. Sei lá, de repente não é uma notícia tão ruim. Tanto tempo se sentindo vazio que cheguei a conclusão que não tenho nada a lamentar. A vida é apenas um caminho, a morte o destino. Tenho medo de morrer. Não sei o que tem do outro lado. Quando comecei este blog era mais visceral nas minhas palavras; com o tempo elas arrefeceram. Mas no fundo eu percebi que os sentimentos não. E quantos contatos recebo de pessoas que se lamentam dos mesmo males, meu Deus! É muita dor nessa existência. Grito socorro! Por favor, se alguém ouvir não precisa suportar meus lamentos, apenas lembre de mim em suas orações. Já não tenho lágrimas pra lavar a alma, e minha alma está suja, enlameada, ensanguentada… Ah! O tempo escorre pelas minhas mãos e eu não faço ideia do que fazer com ele. Não iniciei estas palavras sentindo tanto peso em mim, mas conforme discorro aqui sinto um aperto no meu peito, uma pontada de dor por tudo aquilo que sonhei e não aconteceu e me faz lamentar dia após dia a minha existência. Sofro, não porque queira. Sou obrigado a sofrer. Talvez você que lê estas palavras ache um exagero, mas acredite, não é. Lembro de quando era criança, que sonhava em ter uma família, uma casa, um carro, e poder viajar e ser feliz com minha mulher e meus filhos. Mas aí veio a adolescência, a descoberta da homossexualidade, o aprisionamento das minhas vontades, a violência que meu pai praticava contra mim e tudo ruiu. Não consegui ficar de pé. Não consegui dar a volta por cima. Sou um cara de 34 anos que ainda mora com a mãe tem um emprego de merda e nenhuma perspectiva. Não sei viver. Não sei. Talvez tenha desistido. Talvez haja uma segunda chance. Talvez…

Insignificância

2Quando eu comecei o Exalando a alma eu pensava em falar das coisas negativas da minha vida, e é exatamente o que tenho feito. Falo aqui de coisas que não conto às pessoas no vis-a-vis. Vivo uma vida dupla, essa que é a verdade. Para as pessoas sou um cara normal, que trabalha, sai, gosta de ler, e tudo o mais… Mas no fundo não é isso que sou. Pouquíssimas pessoas me conhecem a fundo. Nos últimos meses ignorei o blog propositalmente. Queria achar que conseguiria conviver com meus problemas sem fazer alarde deles pra ninguém (não que eu saia gritando feito louco por aí, mas há algumas pessoas pra quem eu posso me abrir). Eu, francamente, não gosto de procurar as pessoas pra desabafar. Elas não têm nada a ver com meus problemas. E pior ainda, são aquelas que oferecem amizade e diminuem o que sinto. Tem uma pessoa na minha família que é pentecostal, desses que dizem que ouvem Deus falar pra eles repassarem o recado para nós, pobres mortais. Se intitulam “profetas”. Enfim, essa pessoa se aproximou de mim, falou que Deus tinha mostrado pra ela que eu era gay e que Ele tinha uma saída pra mim, mas que eu passaria por coisas ruins antes de me ver livre da dor. Essa pessoa ofereceu a amizade dela. Eu, pobre coitado, acreditei nisso, até porque na época ninguém mesmo sabia que eu era gay, apenas eu. Enfim, o tempo foi passando e fiquei muito próximo dessa pessoa (uma mulher, caso esteja curioso/curiosa). Mas, algumas vezes em que eu a procurei ela me tratou como um estorvo. Oras, eu não tinha buscado ajuda dela, ela me ofereceu e depois não deu conta da situação. Eu me senti tão diminuído quando aconteceu isso da última vez que resolvi me afastar. A falsa amizade mais me causou danos que algo de bom. Por vários motivos eu abandonei a religião, mas o principal é a estupidez dos pentecostais. Poucos nesse meio se salvam. Tenho verdadeiro horror a essa cultura. Pior é que grande parte dos meus parentes fazem parte dessas igrejas horrorosas que têm por aí, onde gente como eu é condenada ao inferno só por existir. Pessoas assim tem feito eu me sentir amedrontado. Questiono tanta coisa na minha vida que nem sei mais o que fazer com ela. Tenho medo de tudo. Tô esmagado. Me sinto apenas insignificante…

Mais um dia

crying_child“Não existem dias legais, existem apenas dias…” -Milhouse

A citação eu tirei do seriado Os Simpsons, mas ela tem um sentido especial pra mim, porque é exatamente assim que me sinto, vivendo apenas uma rotina de esperar algo que nunca chega. Resumindo, não existe excitação, felicidade ou qualquer coisa positiva. Às vezes rola uma felicidadezinha, mas felicidade é como fogos de artifício, estouram, enchem os olhos de beleza e logo se esvai. Ah! Esses dias de crueldade, pessoas vis, fúteis e desnecessárias nos cercando, isso faz a vida perder todo o brilho. Durante o dia tenho medo de morrer e durante a noite medo de viver. É uma encruzilhada. Me sinto tão perdido na vida, acho que nada mais importa, se vivo ou se morro. Sabe, eu tenho questionado a Deus todos os dias o porquê dessa aflição diuturna. Eu queria que isso tivesse fim logo. Não é impaciência. Nem sei o que é… Estou doente. Estresse e ansiedade. Fui ao médico há alguns dias e ele me disse que se eu continuar assim não vou durar muito. Não sei se isso é bom ou ruim. Não quero morrer, mas também não vale a pena viver assim. Sinto dores constantemente. Essa é uma certeza que tenho quando acordo: sentirei dor em algum lugar. Faz tempo que não consigo chorar; eu gostaria de derramar umas lágrimas de vez em quando, mas não consigo. Talvez já não esteja mais importando. São dias de violência, dias de incertezas, dias de maldade gratuita, dias de traição, dias de auto indulgência, dias de descontrole, dias de histeria, dias de ódio e rancor. Não queria viver esses dias, mas não pude escolher. O mundo nunca foi um lugar bom de se viver, mas as coisas pioram a cada segundo. E meu dilema é como sobreviver ao que me é intrínseco e extrínseco ao mesmo tempo. Três coisas penso todos os dias: Deus, futuro e morte. É inevitável. Tenho um pouco de saudade do meu passado, de quando era criança, quando a infelicidade não tinha definição. Passou. Pessoas passaram pela minha vida. Experiências me marcaram e fizeram de mim quem eu sou. Algumas pessoas adoram usar frases de efeito dizendo que não devemos deixar o que fizeram de ruim para nós nos definirem. Acho que elas não sabem o que é trauma, o que isso faz no caráter de um homem. Pense em uma criança sofrendo violência sexual e imagine se isso não definirá nada na vida dela. Consegue? Se sim, me explique como, porque eu não consigo. Seja como for, talvez haja de fato quem consiga, eu não consegui. Não sei se sofrer violência foi a causa de eu ser gay, só sei que sofri a violência e que sou gay. O resultado: infelicidade. Deus me ajude a sobreviver…

Coração calejado

a599ab_04a6c41102514c2da0e95dd653dbcf4fCondição humana. Interpretá-la é uma tarefa árdua, duvido que, por mais que nos esforcemos, consigamos fazê-lo. É complicado para nós, principalmente capitalistas, entender como alguém que tem “tudo” possa ser infeliz e alguém que não tem “nada” possa ser feliz. Eu acredito que a felicidade seja uma das condições humanas que independem de forças exteriores. Você pode até se sentir feliz comprando algum bem de consumo, mas sua felicidade acaba logo que lançarem um modelo mais recente. Outra condição humana é a solidão. Lendo um site que trata de temas ligados a psicologia em um post que trata sobre danos ao cérebro, um dos fatores que danifica nosso cérebro é a solidão. Eu divido a solidão em duas: a perceptível e a factual. A perceptível refere-se àquela solidão que sentimos mesmo quando estamos cercado de pessoas. A factual refere-se aquela solidão propriamente dita, de quando não temos com quem contar. Às vezes enfrentamos as duas. Eu já enfrentei ambas em momentos distintos da minha vida. Ambas são difíceis de suportar, mas a solidão perceptível é a pior de todas porque enche nossa cabeça de questionamentos que simplesmente não têm respostas. Você se sente só. Fim. O problema da solidão é que ela altera nossa forma de interagir com o mundo. Somos seres sociais e necessitamos dessa interação com outras pessoas. Parte da interação está na comunicação, não apenas falada, mas a comunicação corporal. Algumas pessoas sabem ler essas comunicações subjetivas, outras não. Por falta dessa comunicação, vamos guardando dentro de nós sentimentos negativos, experiências ruins, males que precisam ser expurgados e acontece de acabarmos encontrando pessoas que apenas têm aparência de compaixão e nos abrimos com essas pessoas e nos arrependemos de tê-lo feito quando vemos essas pessoas partindo de nossas vidas e levando um pedaço de nós, que confiamos e acreditamos na amizade que elas ofereciam. A era pós-moderna prega a libertação dos relacionamentos, relacionamentos abertos onde ninguém é de ninguém e cada um é livre para partir a hora que quiser, e isso tem nos deixado adoecidos cada vez mais, mas ir de encontro a nova moda da década não vai trazer maiores benefícios. O que um amigo poderia fazer por nós tem que ser comprado em consultórios de psicólogos, pois a profissionalização da compaixão não tem efeitos colaterais. Até os psicólogos precisam de terapia, esse é o melhor marketing. Não, não sou contra a psicologia, muito pelo contrário, eu apoio e indico já que há casos e casos, e doenças psicológicas não são irrelevantes, elas matam tanto quanto males físicos. Mas a verdade é que usamos isso como desculpa para nos esquivar de demonstrar compaixão. Vivemos com pressa, não dá mais tempo de pensar no outro. Precisamos viver uma farsa para expor em nossas redes sociais nossa alegria de mentira enquanto muitos de nós desaba noite após noite quando tiramos nossa máscara  e ninguém pode contemplar o monstro que realmente somos. Defeitos fazem parte de nós, mas fugimos deles como se eles fosse aberrações herdadas por um acidente qualquer, tornado nossas vidas uma vitrine de hipocrisias para pessoas que não estão nem aí para o que somos, e depois reclamamos da inveja que os outros sentem daquilo que supostamente somos sendo que nós mesmos provocamos tais sentimentos nas pessoas. Alguns corações nunca sararão e nós apenas queremos fugir da culpa.

Taquicardia

sindrome-do-pavio-curtoSou uma pessoa um tanto ansiosa e bem estressada, do tipo que passa mal, tem dor de cabeça, falta de ar e pesadelos. Além do mais estas condições refletem na nossa saúde física através das chamadas doenças psicossomáticas: seu corpo responde ao seu estado de espírito. Tenho vários problemas físicos que vão de enxaqueca, psoríase, dificuldades pra dormir, apetite descontrolado, dores na lombar, cansaço, palpitação, gastrite, falta de ar e etc. Tento me manter no controle, mas ultimamente tem sido bem difícil, ainda mais vivendo em uma cidade cuja violência cresce vertiginosamente, em um país onde nada é feito. Tenho medo de tudo. Quando minha família sai sem mim fico aflito, não relaxo, não me sinto tranquilo enquanto não os ver. Quando minha mãe resolve sair sozinha ou pegar um ônibus eu fico intranquilo e não consigo fazer nada. Ando com medo de tudo, uma angústia, um estado de tensão constantes e sei que se isso não parar as consequências serão desastrosas. Estou sempre com a sensação de que a qualquer momento o telefone vai tocar e alguém vai me dar uma notícia ruim. Queria poder falar disso com alguém. Vivo uma tristeza insone, em estado de alerta, em pânico.

PainCover2.3390913_stdEu reconheço no meio disso tudo o quanto preciso de Deus, e o quanto preciso me desapegar dessa vida o mais rápido possível. Eu gosto muito dessa passagem da Bíblia: Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Filipenses 4:6,7). Eu queria muito conseguir viver isso, mas há tantas coisas no meu caminho. Ah! Eu não deixei de acreditar em Deus, eu espero somente Nele que haja esperança pra mim. Essa vida tem sido como uma doença incurável. Algumas poucas pessoas tentam me consolar às vezes, mas como é difícil ser consolado. É preciso chorar, verter as angústias por muito tempo para que eu sinta algum alívio, mas as lágrimas estão secas há tempos. Que Deus tenha piedade de mim. Deus, me ajuda!…

De coração partido…

20100306_MG_3628-950x633A morte e o sofrimento nos faz refletir muitas coisas a respeito das nossas vidas. Viver é sofrer, já dizia o poeta, e sobreviver é encontrar sentido no sofrimento. Às vezes temos oportunidades de lavar a alma e nem sempre conseguimos. Já expus várias vezes aqui no Exalando a Alma todas as angústias que sofri na vida em relação ao meu pai. Meu pai já morreu, e antes disso lutou por anos contra uma doença incurável. Sofri na época da morte dele, há nove anos, mas o tempo foi passando e o sofrimento foi se tornando alívio. Meu pai não sabia que eu era gay. Minha mãe sabe, pois contei a ela, apesar dela ignorar o fato, talvez seja mais fácil pra ela lidar com isso. O que nunca contei aqui no Blog é que antes do meu pai morrer ele passou um período internado no hospital, cerca de dois meses, e na semana em que ele morreu ele entrou em coma. Senti vontade de chegar no ouvido dele enquanto ele estava em coma e dizer a ele tudo que sentia. Muitas vezes tive um diálogo na minha cabeça das palavras que gostaria de ter dito a ele, cada uma delas. Contar que era gay, que aprendi a ter obsessão por pênis por culpa dele, que me sentia deprimido e mal por causa das coisas que ele me dizia, que me sentia infeliz pela forma como ele me tratava, que achava o amor dele falso, que ele nunca tinha sido meu amigo, e que se eu fosse pro inferno era pra ele me esperar lá. Queria dizer o quanto pensei em morrer por não suportar minha vida, em como achava insuportável fingir ser quem eu não era pra agradar a comunidade religiosa da qual fazíamos parte. Queria deixar ele desesperado e sentir minha alma lavada com a dor dele. Mas claro que não fiz. E confesso que há dias que me sinto feliz por não ter feito, mas têm dias em que me arrependo e acho injusto ele ter partido dessa vida sem conhecer o monstro que ele criou. Não queria viver com a tristeza de saber que minha inocência foi queimada pela ignorância e lascívia daquele homem e não acredito que ele fazia tal coisa por pura brincadeira. Não se toca um criança sem ter muita maldade no coração. Vivo uma guerra doentia dentro de mim para não reproduzir com outros o que ele fez comigo. Eu vivo ansioso, apavorado, tenho medo do julgamento divino, me sinto preso, acorrentado, queria gritar tudo que se passou comigo pro mundo inteiro ouvir mas infelizmente tenho que sufocar nesse paroxismo interior porque seria julgado e no fim das contas ninguém ligaria mesmo. A minha rotina consiste em acordar e colocar uma capa de aparente felicidade enquanto estou morto por dentro. Canso de sorrir por fora e sangrar por dentro; canso de dizer que estou bem mas no fundo estou amargurado. E o que mais me cansa nisso tudo é não ter quem me ajude. Não tenho esperança de ser feliz algum dia. Minha alma está rasgada, meu corpo padece e não sei o que fazer da minha vida. Essa é a pior crueldade, viver sem esperanças…

Prazer, Dor! (+18)

nakedKissingBoysSexo basicamente tem resumido a nossa existência. A cultura ocidental é totalmente erotizada, campanhas publicitárias abusam de corpos sarados, filmes têm cenas que atiçam o imaginário de seus telespectadores. Sexo é muito bom. Faz bem a saúde física e mental, alivia o estresse, alivia tensões, aumenta dopamina, e é uma fonte de prazer. Existem estudos abundantes sobre sexo, quem sabe mais do que deveria. Não sou especialista no assunto, meu conhecimento fica no popular, no pouco que aprendi nas aulas de biologia. Mas e quando o gosto pelo sexo ultrapassa o aceitável? Será que é normal pensar nisso o tempo todo, a ponto de perder concentração nos seus afazeres diários? A ponto de você não mais conseguir separar um tempo para coisas mais racionais, como ler um livro inteiro sem distrações? E no meu caso, como lidar com o sexo homossexual? Você não imagina o que ter uma ereção só de entrar num banheiro publico e ver o pênis de alguém que está apenas fazendo suas necessidades. Eu não uso mictórios, uso apenas os cubículos para evitar transtornos, já tive vários. Sinto que minha vida não está mas indo no rumo normal. Alguém pode argumentar que isso já faz parte da cultura homossexual masculina, afinal a imagem que a mídia passa da comunidade LGBT são de pessoas com a sexualidade exacerbada. Mas nem todos são/aceitam ser assim. Eu não aceito. Não é saudável. Não é produtivo. Por duas vezes fui ao bosque da minha cidade com meu (ex)namorado. Em uma eu entrei no banheiro, precisava me aliviar, estávamos sós, ele abriu a bermuda e eu fiz sexo oral nele. Em outra oportunidade nos escodemos dentro do mato e praticamos sexo oral um no outro. Em um determinado ponto turístico de nossa cidade nos escondemos em uma rua escura, mas por onde passavam pessoas (prostitutas e vendedores ambulantes) e ficamos sem camisa nos beijando, mas com nossos pênis duros e nos masturbando um ao outro. Já fizemos sexo oral em estacionamento de shopping, a última vez que fomos ao cinema coloquei a mão dentro da cueca dele e fiquei acariciando os testículos dele. Já fizemos sexo dentro do carro em uma rua escura, certa vez fomos a uma praia e enquanto eu dirigia ele me masturbava…

masturbacaoSão muitas e muitas histórias nesse sentido e fazíamos isso simplesmente por não termos um lugar onde namorar. Fomos várias vezes a motéis e drive-in, mas nem sempre tínhamos dinheiro para isso. Alguém pode pensar que isso é aventura de amantes, mas eu confesso que sempre me senti em risco e me senti sujo por fazer essas coisas. É como se vivêssemos para o sexo. Temos conflitos, brigas e tudo o mais, mas das várias vezes que terminamos confesso que voltei pensando na falta que o sexo faria e no tempo que levaria para ter outro parceiro. Há pouco tempo tivemos uma briga, mais uma, e decidi terminar mais uma vez o namoro. Tínhamos marcado de fazer sexo esse fim de semana. Que ninguém pense que não amo ele, amo e muito, penso na amizade, na cumplicidade, mas é como se o sexo fosse o pilar. Quantas cobranças e brigas foram feitas por causa do sexo. Quantos desgastes… Ainda tenho um problema sério em relação a minha sexualidade que eu descrevi no post Visão do Paraíso, bem no início deste blog. São muitas dificuldades que enfrento nessa lida com minha sexualidade. Descobri tarde demais. Às vezes parece que num relacionamento o amor não consegue se dissociar do sexo. Fora que nem sempre é fácil não trair, mesmo que seja apenas olhando. Adoro filmes pornôs, adoro ver dois homens fazendo sexo (e confesso que até relações heterossexuais me atraem). Mas isso não é saudável, não mesmo. Quisera ter um relacionamento mais baseado na amizade que no sexo. Reafirmo, tinha muita amizade no meu namoro, mas sexo ocupou uma parte maior que eu desejaria. Conheci meu (ex)namorado numa segunda, numa terça ele já estava nu em minha cama. Minha cabeça é suja, odeio, odeio profundamente isso em mim. Odeio ver rapazes sem camisa, imagino coisas que nenhum ser humano deveria imaginar a respeito de um estranho. Ir à praia é uma coisa que odeio. Ver homens de sunga (que pra mim nada diferem de uma cueca) me tortura. A ultima vez que fui havia um jovem, confesso que fiquei tentado a convidá-lo me deixar fazer sexo oral nele. E uma coisa que mesmo tendo uma vida sexual ativa, eu não me livrei da masturbação. Três, quatro, até cinco vezes ao dia. Já me masturbei antes de ir ter um encontro com meu (ex)namorado, fizemos sexo, me masturbei depois do sexo, e me masturbei quando cheguei em casa. Não pense que isso é bom, do meu ponto de vista não é. Preciso de um freio nesse desejo, antes que acabe mal.

Inferno

Sad-boySua mente não descansa. Você tenta relaxar mas para onde você vira você vê coisas negativas e não há nada que você faça que consiga evitar isso. É muito dolorido levar a vida assim. Soma-se a isso seu contexto social, você vive em uma cidade violenta, você tem medo do que pode lhe acontecer de mal e questiona cada canto da sua vida, achando que se você morrer no estado que está vai pro inferno. Ora a todo instante pedindo misericórdia a Deus, para que Ele não lhe deixe perecer sem a salvação prometida na Bíblia. Você outrora pertencia a uma igreja e embora questionasse seus conflitos tinha uma relativa paz, mas ela minguou de seu coração e tudo que você sente é medo e desespero. Prazer, este sou eu. Talvez você não entenda o que passo, mas isso é meu inferno pessoal, meu lugar de tormenta. Meu peito está explodindo, minha mente está trabalhando enfurecidamente e meu corpo padecendo com as consequências dos males acumulados ao longo dos anos. Eu me questiono muito por que eu tenho que sofrer dessa forma. Por Deus, eu queria saber o que fiz de errado pra ter que passar o que passo, tantos conflitos entre minha fé em Deus e a homossexualidade. Eu não aceito ser gay, francamente não acho que algo que me fez sofrer a vida toda seja certo para mim. Eu namoro um rapaz e isso me deixa tenso; ele é muito apegado a mim, e eu a ele. A falta de amigos me deixa numa posição muito desconfortável eu não sei o que fazer, não sei como agir, não sei mais o que pensar. Sei que a Bíblia condena homossexualidade (não adianta por a culpa na Igreja, ela não escreveu a Bíblia). Isso me aterroriza. Quando a noite chega e o dia acaba meu coração dispara. Simplesmente estou aterrorizado neste momento e sei que pouco sentido tem essas palavras, não há ligação, mas queria por pra fora… Tenho medo muito medo e cada novo dia é só mais um dia para eu sofrer. Socorro!

Escuridão

Jogue fora as luzes, as definições.
Diga o que você vê na escuridão.

Wallace Setevens

Dark-Road-dark-road-1366x768Confesso que tenho medo do escuro, ele me sufoca, me paralisa, me deixa sem rumo. Pior é estar no escuro e sem som algum para me dar uma direção. Assim tenho me sentido ultimamente. Um medo, um terror psicológico que já não sei o que fazer. Preciso de ajuda, não sei a quem recorrer. Psicólogos poderiam me direcionar, mas não sei se seria apenas um paliativo para minha luta. Por Deus, quero ser salvo, mas como diria o poeta, nem todos podem ser salvos, ha feridas muito profundas. Já não consigo esconder a dor que sinto daquelas poucas pessoas que ainda estão perto de mim. Queria poder confiar em alguém, pedir uma ajuda, mas não consigo olhar nos olhos de mais ninguém e confiar. Talvez esteja exagerando, talvez mude de opinião logo, ou ainda pode ser que alguém apareça e transforme tudo. Mas é difícil viver um dilema na sua vida. Eu tenho sentido uma necessidade absurda de me apegar a algo maior que eu. Penso em Deus todos os dias, acredite, não uma um turno durante o dia, um dia durante a semana em que eu não pense em Deus, e em o quanto necessito dele. Mas o dilema que vivo, o medo de não conseguir tomar as decisões certas, o medo de não ter tempo de ajustar as coisas me deixa paralisado. Aí me encontro em trevas. Eu penso também em como a morte é atraente nessas horas, terminar tudo seria um alento, mas confesso também que tenho medo de morrer no estado em que me encontro. Acredito na Bíblia, sei que há algo mais depois disso aqui, e não quero selar minha eternidade num mar de sofrimento. Minha cabeça dá um nó toda vez que cogito o além.

quarto-escuroOro quando tenho forças. No estado em que me encontro o melhor que posso fazer é me despir de preconceitos, assumir quem sou, assumir o que quero ser, perceber que minha vida não me agrada, que ela é um fardo que tenho que suportar e ver até quando, o quão longe consigo ir nesse estado. A vida é uma algometria onde até os fortes sucumbem no final. Não há anda o que fazer. Existimos para em breve sairmos de cena e dar espaço às novas vidas que surgirão. Nosso papel é deixar uma história de exemplo às novas gerações. Mas sinto que falho nesse sentindo. Queria muito poder assumir que sou gay. Queria que meus familiares entendessem que isso não é uma escolha, que preciso de ajuda despida de preconceitos e julgamentos sem contexto. Mas sei que isso não ocorrerá. Sinto-me pressionado no círculo de amizade, no trabalho, na família. Tenho vergonha de quem sou. Quando deito a cabeça no travesseiro não consigo sentir esperança nem consolo. É como se meu coração estivesse eternamente de luto. É como se simplesmente eu não tivesse direito de ser quem sou. Ah! Por que a vida dói dessa forma? Eu não pedi pra nascer! Eu não queria correr o risco de ser condenado por algo que não escolhi! A condenação começa nessa vida, quando você sofre as consequências sem saber o por quê de tudo. Quisera Deus em uma oração eu poder mudar tudo, mas sei que não será assim. Tenho que entrar nessa floresta escura que é a vida e aprender a sobreviver. Quem sabe os danos da caminhada se tornam recompensar num porvir distante…

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