Você já chorou de medo? Você já teve um sentimento profundo, um desconforto que só no seu mundo fazia sentido? Acho que todos nós temos. Eu tenho. Chama-se ambivalência. hidingSegundo a psicologia, ambivalência e quando sentimos amor e ódio pelo mesmo objeto. No meu caso, meu pai. Meu pai sempre foi um homem trabalhador, mas era ao mesmo tempo altruísta e vil.  Acredito que ele era dominado por algum tipo de medo subconsciente que não conseguia controlar e, de certa forma, ele lançou sobre mim esse medo. Acredito, hoje, que ele lutava contra o impulso de praticar pedofilia, mas que de certa forma era mais forte que ele. Secretamente, eu desejei que ele morresse. Queria me livrar da opressão que ele me impôs. Não senti satisfação na morte dele,  mas sinto na ausência. Esta me consola enquanto aquela me assusta, e muito.

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Quando comecei a descobrir minha sexualidade eu precisei me esconder. Apesar de meu pai ter me empurrado para o homossexualismo, ela jamais aceitaria. Gostei de muitas meninas, mas o que eu sentia pelos garotos era diferente. Sempre tive pensamentos lascivos, desde o fim da infância até hoje. Não me agrada, mas é difícil lutar contra eles. E quando você tem uma imagem a zelar diante das pessoas é bem difícil dar vasão ao que você sente. Paradoxo. Em um momento você não liga para a opinião alheia e no outro você treme diante do que as pessoas possam pensar de você. Fui criado na religião. Gosto dela. Não gosto dos que carregam o título de religioso. Odiaria me encontrar com o papa, ou qualquer líder de uma mega igreja. Mas, às vezes, parece que a religião aprisiona, às vezes parece que ela é só uma mãe preocupada querendo proteger seus filhos. Bom, meu pai era religioso, e foi um péssimo exemplo para mim. Aliás, ele é o epítome de tudo que eu rejeito em uma pessoa. Sinto uma angústia profunda todos os dias. A tristeza é minha companheira mais fiel, e anda de mãos dadas com a solidão. Sinto-me sem rumo. Não sei o que pensar, não sei como agir, não sei… Só espero encontrar um rumo antes que chegue o fim dos meus dias e eu acabe percebendo que eu não vivi, que apenas existi.

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