black-holeMedo. Uma palavra pequena com um grande significado. Pode significar o fim. Pode significar uma tragédia anunciada. Pode se transformar na cova dos sonhos. Ninguém gosta de sentir, mas em algum momento da nossa vida nós sentimos. Agora, quando a nossa existência se resume em sentir medo, tornamo-nos um buraco negro existencial. Pois bem, é assim que me sinto. Não faço a menor ideia de porque eu sinto tanto medo em minha vida. Já tive tantos sonhos, tantas vontades, mas eles morreram, hoje sou uma cova rasa, um morto-vivo. Alguns lamentam terem perdido o pai cedo demais, eu lamento ter perdido tarde demais. Meu pai era um hipócrita. Levava a família a igreja, pregava nos cultos, mas em casa era um cara difícil de lidar, incapaz de compreender os limites alheios. Pior, meu pai, meu próprio pai tentou abusar de mim. Sempre que lhe pedia algo ele pedia para tocar em mim primeiro. Isso deixou consequências graves em minha vida. Quando você faz uma escolha errada tudo bem. É seu direito errar. Mas quando escolhem por você e tiram suas alternativas a dor no peito arrasa qualquer um.

Meu pai sempre decidiu tudo em minha vida. Modo de vestir, de falar, com quem falar, quefrightened boy músicas ouvir, onde ir, que faculdade cursar, onde trabalhar, cada quando, cada onde, cada porque na minha vida ele decidiu. Uma criança só aprende a andar se você soltá-la e deixá-la tentar. Se ela viver sendo carregada as coisas se tornarão mais difíceis. Por eu ter sido criado na igreja, fui ensinado a respeitar autoridade, mesmo vinda de um tirano estúpido, de um pedófilo desgraçado feito meu pai. Nunca questionei. Obedeci e me dei muito mal na vida. Fico feliz por ele não estar mais aqui, mas o estrago está feito. Sendo gay, sofri muito. Na minha vida inteira tentei fazer amizades três vezes. No começo não entendia meus sentimentos, era confuso, era difícil entender o que se passava, porque me sentia diferente com os meninos, e o medo me afastou das pessoas. Tentei gostar de menias, mas não sabia como agir, achei que era da idade, imaturidade, e outras ‘dades’ da vida. Acabei me apaixonando três vezes, e obviamente, sofrendo. Quando a ficha caiu meu mundo desabou. Quem escolheu isso pra mim? Não fui eu… Hoje minha vida se resume a um vazio existencial. Estudei o que não queria, trabalhei onde não queria, não falei com quem queria, não vivi o que poderia. Correr atrás do tempo perdido? Acho um pouco inaceitável alguém de 30 anos viver como um adolescente. Desempregado, sozinho, virgem de corpo e alma, instável, deprimido, morando de favor com a mãe, sem esperança e com terror nos olhos: esse sou eu. Enquanto muitos aprendem a viver eu apenas respiro…

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