Silent HillHá um tempo eu comprei um Play Station 2 pra mim e descobri um jogo chamado Silent Hill. É uma criação extremamente bizarra, com monstros que fogem a compreensão humana e o diabo apresentado em forma de criança. Mas a história por trás é bem interessante. O primeiro jogo foi adaptado para o cinema, e a obra como um todo me chama muita atenção. Os criadores estudaram psicologia, filosofia, sociologia e ciências da religião, logo a obra tem referências fantásticas destas áreas. A história inicial é a seguinte: havia uma cidade chamada Silent Hill, cujos habitantes praticavam uma religião supostamente cristã. Havia uma garota chamada Alessa Guilesppi (?) que foi oferecida em sacrifício a Deus, sendo queimada viva, porém ela não morreu. Nessa hora o diabo vem e faz um pacto com Alessa e leva todos os habitantes de Silent Hill para um universo paralelo. Cada monstro que existe na cidade é uma forma de concretização de um medo oculto destes habitantes (psicologia em ação). No primeiro filme, o diabo faz um discurso fantástico a cerca do fanatismo religioso e da causa de tudo aquilo. A cidade vive submersa em névoa constante e o terror espreita cada esquina. Tudo nessa obra é feito para mexer com os sentidos. Particularmente acho as músicas um espetáculo em si.

Bom você pode se perguntar o que isso tem a ver comigo. Como eu tentei deixar claro, todafalso-profeta a tragédia que acontece na cidade é causada pela falta de compreensão dos religiosos, o que leva uma garota inocente a se juntar ao próprio diabo atrás de vingança. Posso dizer que a Alessa da história é meu alter-ego. Não que eu tenha feito um pacto com o diabo querendo me vingar dos meus inimigos em uma superprodução apocalíptica que se arrasta por décadas de planejamento e sórdidos detalhes de tortura que deixariam a Igreja Católica no chinelo (lembrem-se da ‘Santa’ Inquisição antes de me crucificarem), mas acredite, essa ideia já passou pela minha cabeça há alguns anos. Houve uma época em que senti tanto ódio da igreja que quase adoeci. O diabo, no filme, discursa: quando se passa muito tempo frustado e com medo o sentimento se torna em ódio e mais ódio. O que eu conheço de pessoas que saíram da Igreja por causa de falsos pastores e profetas não é brincadeira. Hoje eu estou com outro pensamento. Não posso culpar Deus pelos erros dos bastardos (ainda me recuso a acreditar que sejam filhos). Mas muito estrago se tem feito em nome de Deus na vida das pessoas. Passei 28 anos frequentando a mesma igreja, sob o mesmo pastorado. Um ente decrépito sem um mínimo de bom senso para lidar com as pessoas e sem o mínimo de respeito para tratar com os sofredores. Nossa, posso até ser injusto nesta declaração, mas infelizmente é a imagem que tenho dele. Há alguns anos li um livro chamado Decepcionado com Deus do Philip Yancey. Foi apenas por causa deste livro que não desisti de acreditar em Deus, porque nem a bíblia eu conseguia mais ler tamanha minha decepção. Mas enfim, tenho que concordar que enquanto estiver neste mundo ele vai parecer Silent Hill para mim, um lugar enevoado espreitando perigo em cada esquina com monstros que só minha imaginação entende… Alguns pregam que religiosidade e tradição nos afastam de Deus. Para mim isto soa mais como um orgasmo da Ana Paula Valadão do que com uma realidade bíblica. O que nos afasta de Deus é o pecado, é isso que eu acredito. Religião não faz mal a ninguém, gente estúpida faz. Gente estupida causa lassidão crônica. E uma vez caído, será difícil levantar. Que Deus me ajude na minha dificuldade.

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