“A “beleza” e a “atração”, originalmente, são características do objeto sexual. É digno de nota que os genitais mesmos, cuja visão tem efeito excitador, quase nunca sejam tidos como belos, enquanto a qualidade da beleza parece ligada a certas características sexuais secundárias.” -Sigmund Freud, em ‘O mal-estar na civilização’

voyeur06Enquanto escrevo este post estou escutando John Mayer, cuja música parece ter um outro apelo além do romantismo. Confesso uma coisa a vocês: sou um voyeur! Para quem não conhece o termo, Voyeurismo é uma prática que consiste num indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de pessoas. Essas pessoas podem estar envolvidas em atos sexuais, nuas, em roupa interior, ou com qualquer vestuário que seja apelativo para o indivíduo em questão, o voyeur. (Fonte: Wikipedia). Sim, é assim que satisfaço minha libido. Não tenho parceiro nem vontade de adquirir comportamento de risco. Mas não pense que fico vendo vídeo pornô na internet, apesar dela ser uma ferramenta para minha satisfação. Bom, utilizando a psicanálise, Freud discorre em várias obras sobre a sexualidade humana, e neste livro, O Mal-Estar na Civilização, ele aponta a sexualidade humana como ferramenta de controle social. O que Freud discorre nesta passagem é a importância dos sentidos para satisfação da libido. A beleza é o principal objeto de atração entre os humanos. Os animais (que considero até certo ponto mais evoluídos nesse sentido, se utilizam de outras características. Alguns utilizam cheiro, outros o canto, outros [que considero menos evoluídos], a violência para atrair sua parceira). Mas com o ser humano é mais complicado. E quem nunca devorou alguém com os olhos atire a primeira pedra.

voyeur03Desde que a banda larga se popularizou no Brasil, tenho dado muita utilidade a câmera do meu computador. Confesso que muitas vezes participei de vídeo chat, e é bem fácil encontrar quem queira se expor. Jovens, adultos, idosos, solteiros, casados, héteros (sim, há muitos em salas de bate-papo atrás de homens), pelos mais variados motivos. Mas não é apenas na Internet que se encontra os tais. Quando eu tinha um certo “amigo”, algumas vezes consegui me satisfazer com a bela visão que ele era aos meus olhos. Arranjei desculpa algumas vezes pra deixá-lo só de cueca e aproveitar a paisagem. Certa vez até consegui ver além. Ir a praia para mim é uma doce tormenta. Certa vez viajei a uma cidade bem isolada aqui em meu estado, e em determinados lugares o pudor é inexistente. Você ver rapazes completamente pelados tomando banho num rio qualquer a vista apenas de um satélite que eles nem fazem ideia que exista e a minha vista escondido atrás de alguma árvore é fácil demais. E sim, confesso, é um deleite… Eu gosto da observação. Apesar de gostar de abraço, não gosto de envolvimento com humanos. São instáveis demais e minha capacidade de codificar caras e bocas é bem limitada. Agora confesso outra coisa: paradoxalmente eu também não gosto de ser um voyeur. A velha ambivalência tomando conta dos meus sentimentos outra vez. Por mais que não goste muito de lidar com pessoas (algo que já tentei explicar em posts passados), eu desejo um bom pedaço de carne sempre que vejo um. É fácil demais ver. Ter é outra história. Me entender é uma monstruosidade. Não tentem, porque nem eu me entendo!

voyeur02Toda vez que tenho uma sessão voyeur eu sinto um vazio. Eu gosto de olhar, gosto de ter gente me olhando e admirando, até porque não sou um paradigma de beleza, e ter alguém que goste de me ver eleva minha auto-estima de alguma forma. Eu gosto de admirar o que é belo (certo que a beleza está nos olhos de quem vê). Gosto da natureza, e um belo exemplar da espécie masculina me atrai, por mais que eu não queira ser atraído por eles. Não serei hipócrita de achar que estou imune as influências negativas que tal comportamento trás, mas na minha condição é bem difícil achar alternativas. Eu desejo muito ter uma experiência com alguém. Quero realmente descobrir se é isso mesmo que eu sou; eu tenho medo, mas não mando nos meus desejos, apesar de ter quem defenda que sou capaz pois possuo “inteligência emocional”, seja lá o que for isso. Noite após noite quando deito minha cabeça trabalha incansavelmente imaginando como seria ter um cara comigo, fazendo de tudo pra me agradar. Para alguns pode ser uma agonia desnecessária ler os relatos de um desconhecido, principalmente um que possa me fazer parecer um tarado. Mas não sou. Meu intuito aqui e tratar dos meus temores, daquilo que me atormenta. Tudo que falo aqui, eu falo escondido, pois não sairia contando isto a ninguém. Tenho família. Tenho muitos, mas muitos parentes, sendo a maioria religiosos. E como a maioria dos religiosos brasileiros, são completamente tapados e não entendem que religião não imuniza ninguém. Eu preciso colocar pra fora tudo que está em mim, senão eu explodo! Deus sabe a dificuldade que enfrento todos os dias tentando manter meus pensamentos no lugar, e o quanto é difícil para mim. Eu luto muito contra meus desejos, mas tem dias, muitos dias que é uma tarefa impossível, definitivamente. E muitos dias eu simplesmente acordo com a certeza de que vou cair e não vai ter ninguém para me segurar…

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