hadesOs gregos tinha explicação para tudo dentro de sua mitologia. Do nascimento do mundo ao nascimento do eco. Gosto de mitologia grega e me sensibilizo principalmente com o Hades. Quem conhece um pouco de mitologia sabe da história do nascimento dos deuses, de como o titã Cronos engoliu a todos vivos exceto Zeus, que depois de anos escondido travou uma batalha épica junto com seus irmãos e subjugou os titãs a servidão enquanto subia ao Olímpus, um panteão digno de ser temido. Bom, houve uma disputa entre os deuses para saber quem lideraria o panteão, e no fim, ficaram apenas Zeus e Hades. Zeus trapaceia e Hades é lançado para as regiões inferiores. Obviamente ele não ficara feliz com o desfecho da história; tornara-se solitário no submundo, tendo por companhia apenas Cerberus, o cão de três cabeças (cuja imagem Dante Alighieri tomou emprestada para escrever sua obra “Divina Comédia”). Um certo dia, Hades resolveu passear pelo mundo em sua carruagem puxada por serpentes quando Eros, o deus do amor que adorava implicar com Hades, resolveu flechar-lhe para deixá-lo menos rabugento. Hades sentiu aquela pontada incomoda que o amor causa, mas seguiu seu caminho até encontrar a bela Perséfone, filha de Deméter, deusa da fertilidade. Hades não pensou duas vezes e agarrou a jovem e puxou-a para dentro de sua carruagem e sumiu com Perséfone para dentro da terra. Para resumir a história, depois de algum tempo que Perséfone ficou sendo mantida em cativeiro, Deméter se desespera e desce até o Tártaro atrás de sua filha, mas por incrível que pareca, Persefone acaba aceitado a vida de “rainha do inferno”, e Hades demonstra ser um grande cavalheiro e bom amante, o que surpreende em se tratando do deus do inferno, o cara que manda até em Tanatos.

heartbreakHades teve sorte pois, apesar de ter feito a coisa errada, deu tudo certo no final e esta história nos diz que o amor pode nascer em lugares inesperados. Bom, eu já amei alguém antes. O último cara que passou pela minha vida. Por motivos óbvios não citarei nomes, mas o chamarei de O Cara. Nos conhecemos na igreja. Bom, eu sou tímido, e sempre fui muito na minha, o que passa uma imagem errada as pessoas. Às vezes sou rude, é meu jeito. Uma palavra dita da forma errada pode causar um estrago terrível, eu sei muito bem disso e, às vezes, minha forma de expressar não sai, como eu posso dizer, de forma singela, mas tudo bem. Bom, quando eu conheci O Cara ele tinha essa imagem a meu respeito, mas de algum jeito o gelo foi quebrando. Lembro-me de ter dado o primeiro passo. Comecei a conversar bastante com ele e a me envolver no círculo de amizade dele. Na época tínhamos um bom convívio com todos, mas começamos a ficar muito chegados. Começamos a passar muito tempo juntos, sem a presença dos demais, e quando estávamos todos reunidos geralmente ficávamos em um canto a parte. Nos cultos sempre ficávamos juntos. Nossa amizade se estreitou muito, e isso começou a chamar a atenção dos demais. Logo as conversas começaram a aparecer. A perseguição dentro da igreja foi terrível, mas tentei não deixar que isso me abalasse, afinal minha felicidade era mais importante. O tempo foi passando, e eu por ser um cara muito solitário me apeguei muito ao Cara. Se alguém quiser entender as raias que chegou essa amizade escute a música Pode Gradecer do Jay Vaquer; é um resumo da relação. Em determinado momento comecei a entender o que era aquele sentimento: paixão. Eu amava O Cara, mas também estava apaixonado. A meu ver existe diferença, mas não discorrerei, espero que você entenda a que me refiro. Hoje entendo todo mal que provoquei, mas na época eu me via coberto de razão e não entendi como de uma hora para outra nossa amizade começou a declinar. Creio que seu eu não tivesse sido possessivo demais eu conseguiria ter um affair com O Cara; eu desejei ter um. Ainda desejo. Eu não tive alguém para me indicar a coisa certa a fazer. Muitos se levantaram contra pura e simplesmente. Eu sei que errei muito, mas quem não erra? Eu sei que fui (e quem sabe ainda sou) um bruto, mas quem disse que não posso amar? Hoje O Cara não é mais meu amigo, muito pelo contrário, ele faz questão que eu saiba de todo repúdio que ele sente por mim. Ele nunca soube que eu me apaixonara por ele, mas acredito que ele desconfiara, afinal, ele foi uma das pessoas mais inteligentes que conheci. Invejo Hades. Ele foi lançado no poço profundo, mas soube dar a volta por cima. Eu estou no poço, de coração partido, amando alguém que nunca terei (sim pois ainda amo, afinal se não fosse amor o sentimento teria morrido!). Ah! O amor… um sentimento agridoce e ambivalente que acalma e atormenta o mais sereno dos seres.

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