Cuidado com a tristeza. Ela é um vício. -Gustave Flaubert

outono noturno

Na vida passamos por estações e momentos tão díspares, mas isso faz da vida tão bela com seus tons e cores, nos faz ter aprendizados tão profundos que devemos ser gratos a Deus por absolutamente tudo aquilo que enfrentamos. Porém, há aquelas vidas que têm apenas tons de cinza e a noite é uma constante. Volta e meia enxerga-se uma luz, mas ela logo se esvai… Tudo parece sufocar, retrair, subtrair, dividir, e não há nada que se possa fazer para aliviar a sensação de angústia que domina tantas pessoas ao nosso redor. A maioria tornou-se perita em disfarçar a tristeza. Tristeza não é aceita, não é bem vista e merece no mínimo execração. Mas nada muda o fato de que temos pessoas correndo de um lado a outro sem saber o que fazer de suas vidas. Pessoas bem sucedidas, bem casadas, saudáveis no corpo, pessoas que vemos e intimamente as invejamos. Nós não gostamos da tristeza. Nós a rejeitamos e, junto com ela, rejeitamos aqueles que dela são acometidos. O choro que sai diretamente do âmago dói, machuca, corrói. Há um agravante em nossos dias já que estamos numa nova corrida do ouro, e parece não haver espaço para o humano ser valorizado. Substituímos relacionamentos reais por redes sociais, onde todos estão sempre felizes, sempre sorrindo, mas quando muitas destas pessoas colocam a cabeça no travesseiro as lágrimas fluem. Chegou a noite.

solidãoEstou vivendo a noite da minha alma já faz tempo. Claro, tenho meus momentos de alegria, mas são tão poucos que sinceramente, prefiro não tê-los, pois eles parecem mero placebo, em nada aliviam. Já falei em outros posts (O demônio que rasga a alma e O demônio que insiste em rasgar a alma) sobre minha guerra contra a solidão. Sou criticado o tempo todo por pessoas que não entendem e nem fazem questão de entender meu lado. Não vivi uma adolescência e uma juventude de liberdade. Não podia ter amigos, meus pais não deixavam. A psicologia demonstra que o adulto é o reflexo da criança. Tenho medo da solidão. Não sei lidar com pessoas. Queria muito estar casado, com filhos e trabalhando, mas minha vida entrou em um rumo completamente diferente. Tento me apegar a Deus, mas Ele parece tão distante de mim, e falta-me forças para buscá-lo. Eu desisti da igreja. O sistema religioso me esmagou, já não consigo me ver inserido em um sistema religioso. Aliás, tenho sentido uma verdadeira repulsa a tudo que tenho visto ultimamente que se relaciona a igreja (que Deus tenha misericórdia da minha alma). Às vezes esperança parece tolice, às vezes eu tento me agarrar ao último fio, pois seu eu perdê-la, nada mais me restará. Talvez você meu leitor esteja cansado de tanto ver queixas neste blog, mas espero que você torça um pouco pela minha felicidade, pois eu mesmo já não sei se vale a pena. Se você acredita em Deus, peça a Ele por mim, pois eu mesmo já não sei o que pedir. Vou me agarrar a máxima “enquanto há vida, há esperança!” Que Deus me permita viver para ver o amanhecer da minha alma.

Anúncios