montanha_russaAcho as nuances da vida interessante, como ela dá uma guinada sem aviso nenhum e em algum momento somos pegos de surpresa por algo que pode trazer grande alegria ou profunda tristeza. Gosto da análise que Freud faz da humanidade, e a forma como ainda no final século XIX e início do XX ele descreve a vida na sociedade moderna, com uma acuracidade quase profética, descrevendo um homem cheio de conflitos. Alguns apontam que a sociedade tornara-se bipolar (veja aqui por exemplo), o que eu concordo. Não sabemos o que esperar. Considero a vida uma montanha russa; alguns passam anos para subir, e descem rápido, outros sobem rápido e descem mais rápido ainda, alguns nunca sobem, outros se estabilizam. Já cantava o Queens: easy come, easy go. Sou uma pessoa de humor variante, que torna-se um incomodo constante. Passo por altos e baixos várias vezes ao longo do dia, todo dia. Às vezes observo pessoas que estão sempre risonhas, nunca as vejo de mal humor ou sozinhas. Queria saber o que se passa na mente delas. Não gosto de ser generalizador, mas conheci um rapaz certa vez que se encaixa neste perfil, sempre sorrindo, sempre de bom humor, “pra cima” como se diz, mas quantas vezes ouvia de seu irmão que ele passava as noites chorando sozinho. Fato é que é bem difícil acharmos pessoas confiáveis para desabafar. Eu mesmo, depois de um tempo, o vi chorando me contando coisas que nunca imaginaria apenas observando aquele cara alegre e cheio de amigos… A vida é estranha, ou apenas curiosa. Essa estranheza me incomoda demais. Francamente queria ser capaz de entender a vida, mas desisti disso a muito tempo. Talvez seja amadurecimento, compreender que a vida é para ser aceita e não entendida, que não veremos todos os meandros dela, e que há lições que não dá para serem ensinadas, lições que precisam ser vividas.

speed velocidadeA correria da sociedade moderna tem levado pessoas a beira da loucura. Eu sou uma delas. Se você me perguntar qual a pior invenção do homem eu posso lhe dizer várias, mas para mim a que mais detonou a vida do ser humano foi uma coisinha que hoje tornou-se tão necessária que a vida é capaz de acabar sem ela: a lâmpada. Thomas Edison foi propulsor do grande caos moderno. Antes da lâmpada a sociedade dormia cedo, acompanhava o ritmo das estações, vivia com serenidade. Depois da lâmpada a sociedade expandiu seus horários, criamos workaholics (compulsivos por trabalho), viramos madrugadas acordados, muitos trocaram o dia pela noite, corremos de um lado para o outro e não precisamos mais nos preocupar pois tudo está à vista! Nossa, onde viemos parar?!? Perdemos o sono a troco de nada. A lâmpada foi só o começo… prefiro nem pensar no resto. A nossa sociedade está doente. A moda da vez são as doenças psicossomáticas, parece que se tornou símbolo de status frequentar psicanalista (nada contra, sou um grande admirador de Freud), hoje é lindo se falar em depressão. Pisamos em um terreno desconhecido. Muitos querem subir rápido demais na vida! Alegria deixou de ser um sentimento saudável e passou a ser alvo de perseguição. Pessoas tristes, sorumbáticas, tímidas não têm vez! Você precisa ser “o cara” se quiser vencer na vida. Se alguém, como eu, almeja apenas viver com tranquilidade é tratado como perdedor, porque você TEM que ser grande. A sociedade se esquece que nem tudo é para todos. E assim muitas vezes perdemos nosso senso de responsabilidade com nós mesmos e com o próximo. Alce seu voo, seja quem você quiser, você é livre. Mas nunca perca seu chão, pois a vida com certeza vai lhe dar uma rasteira em algum momento da sua jornada. Se você tiver um acelerômetro em si você balançará mas não cairá… Se não tiver, sinto muito. Tchau e bença pra você! Indico a vocês o livro Sociedade Individualizada, de Zigmunt Bauman. Uma boa reflexão de onde chegamos.

E uma música pra relaxar…

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