Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. –Carlos Drummond de Andrade

O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades – Mário Lago

missImis-you-saudade-falta-de-voce-amiga-amor-distancia3Saudade… uma palavrinha definida como sentimento mais ou menos melancólico de incompletude, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável (Houaiss Dicionário da Língua Portuguesa). É um sentimento que não me permito muito. Mas têm dias que a saudade dói, dói com força… Saudade daquela pessoa para quem me doei sem medidas e hoje me ignora, saudades daqueles que já não se encontram entre nós, saudades do tempo em que a inocência me impedia de ser infeliz, saudades… Pensando bem, é um erro achar que sou capaz de não sentir saudades. Às vezes a saudade é só uma brisa suave; em outros momentos ela é um temporal que deságua implacavelmente sobre nós, e deixa um rastro de melancolia que perdura, amedronta, enfraquece. Invejo profundamente Mario Lago. Queria apenas lembranças. Não, na verdade não as quereria por nada, lembranças doem, a ausência não se explica, apenas se sente. Hoje tenho saudades de tudo, até dos momentos difíceis. É ambivalente, agridoce, surreal. Não se explica, apenas se sente…

vazioNeste momento tento escolher que palavras quero imprimir nesta postagem, mas a melancolia que sinto agora me turva os pensamentos. Lembro das pouquíssimas pessoas de quem tentei ser amigo e que hoje me ignoram. Lembro das pessoas que tive vergonha de amar publicamente e que partiram, e dessas eu sinto mais saudade. Olhando algumas fotos de infância desejei ardentemente voltar aquele período onde tudo era belo, tudo era novo, tudo era fascinante! Ah… mas como dizia Cazuza, o tempo não pára. O tempo avança, e cada vez mais nos distanciamos daqueles momentos, daquelas pessoas… Muitas coisas foram ditas neste blog, mas poucas me arrancaram lágrimas. Eu não queria lembrar. Não adianta sofrer pelo que passou, nada nesta vida volta, está é a realidade presente a que temos que nos contentar. Apesar do vazio, a vida continua. Tem que continuar mesmo sem aqueles momentos, mesmo sem aquela pessoa, mesmo sem nada, nem mesmo a lembrança… É, apenas devemos continuar.

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