“Nós não somos anjos ou demônios somos os dois.” -Carl Gustav Jung

atrc3a1s-do-belo-rosto-o-monstro2Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. É assim que um dos maiores homens do cristianismo se expressa sobre si mesmo em Romanos 7:19. Eu sei muito bem o que é isso. Uma coisa aprendi na vida: quando ferimos alguém que amamos somos os mais prejudicados, pois o fardo da culpa que vem depois pesa e dói. Conviver em família pode ser algo muito difícil. É para mim. Não tive um crescimento e um amadurecimento natural como deveria ser. Certos pais querem tanto dar a seus filhos o que não tiveram que se esquecem de dar o que tiveram. Depois que a forma é moldada e endurece você não conseguirá mudá-la sem causar danos profundos e quem sabe, irreparáveissolidao. Por isso considero injusto exigir que as pessoas mudem. Eu não quero esta exigência; também não exijo de ninguém. Mas reconheço que enfrentar o demônio interior tem sido cada vez mais difícil. Bom, família é a única convivência que tenho, já que não tenho amigos. Minha mãe sempre me dizia: “tu não precisa tá atrás de ninguém que tua amiga é tua irmã!” Hoje não consigo me dar bem com minha irmã, não sei relaxar perto dela, não sei rir, não sei me abrir, e cada vez mais tomo atitudes que reprovo em mim mesmo., mas não sei agir de outra forma. Quero liberdade, mas estou firmemente acorrentado ao demônio que vive em mim.

nadaTenho medo do meu futuro, não sei o que será de mim pois não consigo dar uma nova forma a quem sou. Eu tenho consciência que não nasci para ser amado nem bem-quisto por ninguém. Amor, perdão, amizade, essas coisas custam caro e eu não sei como comprá-las. Detesto que as pessoas fiquem apontando meus erros pois eu os conheço muito, mas muito bem mesmo. A verdade é que estou doente, profundamente doente, não só na alma, mas no corpo também. Sinto tantas dores, mas que seja. Talvez estas dores sejam a justa recompensa por eu ser quem sou. Não acredito que alguém entenderá minhas palavras, não acredito que alguém sequer chegará ao fim destas, mas hoje quero que elas sejam um retrato fiel do que eu tenho dentro de mim. Deus, eu só quero alguém que me entenda, alguém que me ajude e me estenda a mão, alguém que possa fazer algo por mim. Se existe amor eu quero provar. Palavras o vento leva, e em dias de ventania não há palavra que permaneça. Preciso de um exemplo sólido. Estou sem chão. A vida tem sido demasiado solitária. Sinto-me em um deserto existencial. Se for para viver em um deserto, que eu morra logo desta sede insaciável…

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