Quando abro cada manhã a janela do meu quarto É como se abrisse o mesmo livro Numa página nova… –Mário Quintana

Oportunidade. Eis a grande questão. Todo dia temos a oportunidade de fazer algo novo, diferente, independente das circunstâncias, mas às vezes estamos tão 1257421737431_fcegados pelo momento que não enxergamos as oportunidades a nossa frente. Muitas vezes quando vemos a oportunidade ela já passou. Ai sentamos e lamentamos, enchemos nossa cabeça de “por que?” confrontando nosso lapso de ação. Procuramos culpados, desculpas e tudo o mais que possa nos fazer sentir melhor, simplesmente, menos mudar de atitude. E quando vem uma nova oportunidade acontece tudo de novo, e de novo, e de novo… Torna-se um círculo vicioso. Existe um grupo de pessoas que foram tão manipuladas a vida inteira que não são capazes de tomar decisões sozinhas. Temem. Temem que algo dê errado, temem decepcionar-se com o que quer que lhes aconteça. Meu leitor lhe darei um conselho (siga se você quiser/puder): nunca julgue o medo dos outros, pois o que parece simples para você com certeza não é para quem vivencia. É muito fácil resolvermos os problemas dos outros, é muito fácil dizer que nós fizemos isso ou aquilo, mais fácil ainda dizer que conhecemos um cara que conhece um cara que passou por algo parecido. Quem conta um conto aumenta um ponto. Particularmente se você não vivenciou o problema existe 100% de chace de eu não lhe dar crédito nenhum se você vier me dar um “conselho”.

Bom, há dias tenho me sentido perdido em relação a minha jornada. Tive pais que fizeram tudo por mim, e isto não é bom. Nunca tomei uma decisão importante na vida, nunca tive liberdade para fazê-la enquanto meu pai era vivo. Ele era um passado-presente-futurohomem extremamente manipulador, a palavra dele era a final. Existia sim (e existe até hoje), a cobrança para que algo seja feito. Tudo em minha vida até pouco tempo era decidido pelos meus pais. Se você é pai ou mãe não faça isso com seus filhos. Uma criança só aprende a andar se você soltá-la no chão. Errar não é ruim. Errar é necessário na vida de qualquer pessoa. Mas eu não tive esta oportunidade. Tantas humilhações por não fazer o que é certo me fizeram crescer com medo. E com medo tenho vivido. Olho para meu futuro e não vejo nada além de um vazio. Noite após noite tenho dormido tarde pois fico a pensar no que devo fazer. Para você pode ser fácil dizer “faça isso ou faça aquilo”, “você pode o que quiser, basta querer!”, mas acredite, e quem passa pelo que passo sabe, não é tão simples. Eu não costumo levar em conta soluções fáceis, pois o que vem fácil vai fácil. Pessoas assim precisam ser tratadas, precisam ser acompanhadas, precisam ser ensinadas a caminhar sozinhas. Hoje meu motivo de felicidade é não ter mais um pai. Não sinto prazer na morte dele, mas sinto na ausência. Tenho exemplo próximos de crianças que são sérias candidatas a passarem pelo mesmo que eu, pois seus pais querem lhe dar o que não tiveram e esquecem-se de dar o que tiveram. Não sei o que é criar um filho, eu não tenho e nem pretendo ter, mas sei o que é ser tolhido. Dói profundamente e as marcas dificilmente sararão. Sempre fica uma cicatriz latejando. Que Deus me ajude a mudar o quadro, de outra forma, nada mais me restará nesta vida.

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