[…] um estado de surpresa é um bom indicador da mágoa que virá. Quanto mais paralisado, pasmado e entorpecido alguém se sente, mais demorado e mais intenso é o período de lamentação. –Haytham, Assassin’s Creed: Renegado

Eis um sentimento nojento de se lidar com ele: mágoa. Hoje lendo este livro deparei-me com esta passagem, fiquei pensativo pois o autor traduziu exatamente como é a sua chegada. Não chega a ser surpreendente, mas é incomodo você coração_de_pedrasentir por alguém algo tão avesso ao que você sentia antes. Parece que quanto mais gostamos de alguém, mais fácil é nos ferirmos com as atitudes desta pessoa. De repente você está com a mão estendida para uma pessoa que você ama tanto, e quando mais você precisa dela ela desaparece sem deixar vestígios. Depois reaparece dizendo que nunca lhe pediu nada. Você se doa, faz de tudo pelo bem estar do próximo e recebe ingratidão em troca. Você demonstra ser amigo de certas pessoas, elas fazem bom uso da sua amizade, e na hora de reconhecer elas dão mérito a outras pessoas. Dói, não? Você procura a pessoa que você gosta, tenta se manter em contato e ela não dá valor algum ao seu esforço de tentar manter amizade. Tudo isso já passei, e muito mais. Mágoa é quase um câncer; parafraseando a música Ódio da banda Luxúria, um veneno que tomamos querendo que o outro morra. Tais lições deixam as pessoa petrificadas. Eu aprendi a não me importar tanto assim com as pessoas. Tenho sido deveras desumano certos momentos. Mecanismos de defesa.

Eu tenho dificuldades enormes de lidar com a mágoa. Acho que todos temos. algumas pessoas perdoam com facilidade. Eu não. Não que eu não queira. Eu não sei perdoar. Eu não sei dar segunda chance. Gostaria muito de mudar isto em mim, odio1pois é uma atitude ridícula, eu reconheço. Tenho me sentido assim com algumas pessoas. Pessoas que me deixaram triste e depois reaparecem como se nada tivesse acontecido querendo mais do que eu pudesse oferecer a elas. E ai de você se recusar, será rechaçado pois todos têm um discurso pronto que “devemos perdoar pois nunca sabemos quando nós precisaremos” blá, blá, blá. É um discurso muito bonito, mas sem utilidade, pois os primeiros a quebrá-los ao meio são os que lançam mão dele. E assim segue-se aquela velha hipocrisia que apenas serve de máscara aos covardes sentimentais que nos tolhem do que podemos ser de melhor em nós. Seja como for, reconheço que a cura para o mal está no perdão, apenas. Não há nada que possamos fazer para mudar a natureza alheia, mas podemos sim fazer a diferença. Sei que preciso aprender a perdoar. Talvez a falta de perdão esteja ligado ao excesso de amor que sentimos (pode ser que eu esteja falando besteira, mas como disse acima, quanto mais gostamos de uma pessoa, mas fácil nos ferimos com o que ela faz, eis o porque). Talvez o erro seja amar demais, pois desequilibra a balança. Não adianta dar nada além do que podemos suportar. Guardemos nossos depósitos para quem realmente importa. Se não houver ninguém, guardemos para nós mesmos.

Uma musiquinha pra relaxar…

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