“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.” –Friedrich Wilhelm Nietzsche

Todos nós buscamos algo para nossas vidas e acredito que seja isso que nos imagesmova. O eterno anseio por novidade, por quebrar a rotina; criamos expectativas imensas acerca das coisas que podem acontecer, dos frutos que colheremos pelas decisões tomadas. Talvez deixemos tantas coisas boas passarem em nossa vida por estarmos ocupados demais perseguindo algo que, momentaneamente, não temos como saber se é grande ou pequeno, bom ou mau para nós. A vida é uma caixinha de surpresas. Quando perdemos as esperanças nos surpreendemos, para bom ou para mau. Às vezes para os dois. Talvez você saiba o que é, talvez não, mas acredito que todos nós já provamos a ambivalência. Sabemos o que queremos, perseguimos com empenho e, quando alcançamos, temos a sensação de que passamos a vida inteira perseguindo algo errado. Não é um sentimento (talvez ‘sentimento’ não se encaixe muito aqui), uma sensação fácil de se explicar. Têm coisas que definitivamente não tem explicação, não há palavra que traduza, e qualquer tentativa dirimiria a importância que assunto carrega em si.

Particularmente odeio sensações mistas, e ambivalência para mim é um tipo de tortura autoinfligida e completamente sem controle. Quem acompanha o Exalando a Alma desde o começo sabe que tenho relatado meus momentos de solidão, do 210medo de envolver-me com alguém e da falta de esperança em um dia ter alguém para amar. Pois o improvável aconteceu: encontrei alguém. Encontrei alguém tranquilo, alguém carinhoso, alguém amoroso, alguém que me ouve e demonstra me entender, alguém inteligente, e muitos outros predicados que me atraem em uma pessoa. Passamos momentos juntos, em alguns dias tive mais do que poderia imaginar. Tenho motivos de sobra para estar feliz. Só que não foi bem assim… Tudo que mais eu queria em minha vida era tirar conclusões acerca da minha homossexualidade, porém não imaginava que seria tão difícil lidar com estes sentimentos. Conheci um rapaz encantador, que tem sobrepujado minhas expectativas. Algo que queria que durasse para sempre, mas como dizia Renato Russo, o pra sempre sempre acaba. Quando finalmente eu encontro o que mais eu queria na vida descubro lentamente que não era bem o que eu queria. Talvez, mesmo me envolvendo, esteja com pavor de me envolver. Tudo acontece rápido demais, assim como as tragédias. Nunca sabemos de onde elas vêm nem como nos acomete (por mais que sejam anunciadas). Coisas boas vêm através das lutas diárias e do suor que derramamos. A jornada tem sido deveras tortuosa. Sentimentos são a parte mais difícil de se compreender em um ser humano. Tenho medo de assumir, mas acredito que estou amando demais este rapaz. Depois disso tudo descobri que a felicidade está mais longe do que imaginava.

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