Porque há o direito ao grito então eu grito. Clarice Lispector

catarse2Segundo a Encyclopaedia Britannica, Catarse é utilizada na psiquiatria para tratamento das psiconeuroses e consiste em estimular o paciente a narrar tudo o que lhe ocorre sobre determinado problema, afim de obter uma purgação (sentido original da palavra, em grego) da mente. Este também é um conceito desenvolvido na filosofia aristotélica, cujo ensino consiste na purificação da alma por meio de uma descarga emocional provocada por um drama. Traduzindo, sabe quando você come aquela comida que te faz mal, você sente enjoos e passa mal? Pois é, você vomita tudo aquilo e fica bem. É exatamente isso! Acredito que a catarse deve ser um exercício diário; muitos são afligidos diariamente e acabam por se tornar um depósito ambulante de problemas. Sentem-se pesados em momentos que mais precisam de paz. Não é fácil exercitar a catarse, mas é necessário. Quando nos sentimos desestimulados devido as constantes dificuldades jogar a toalha parece ser o caminho mais fácil. A prisão da mente, se não for profundamente conhecida, torna-se intransponível. O maior inimigo que enfrentamos é o nosso ‘eu’. Freud, em ‘O Mal-estar na Civilização’ diz: cada um tem descobrir a sua maneira particular de ser feliz. Este é, definitivamente, um caminho solitário.

freedomNeste ponto encontramos a dificuldade. Como praticar a catarse, que consiste em você falar dos seus problemas, sozinho? Como não depender de alguém para ser feliz? Estamos constantemente fazendo do outro nosso objeto de felicidade. Queremos alguém que nos ame, alguém que nos compreenda, alguém que saiba exatamente o que dizer quando estamos mal, alguém que nos agrade… Traduzindo, somos um bolo de carne querendo ser amaciados. Haja ego pra tanto desejo! Mas será que nós somos capazes de passar tanta perfeição em frente? Por que acharmos que temos moral para exigir isto de alguém? A catarse não é o caminho mais fácil. Ninguém gosta de expurgar nada de si. Dói, incomoda, cheira mal, você fica fraco, vulnerável. Mas acredite, carregar o mal dentro de si é bem pior. Acredito que o primeiro passo seja reconhecermos que somos tão falhos e necessitados perdoar àqueles que nos ofendem tanto quanto necessitamos ser perdoados de nossos erros. Eu tenho aprendido isto na minha jornada. Quantas vezes julguei pessoas que erraram por eu ter provocado o mal. Mas uma dia a ficha caiu e eu precisei reconhecer tudo que fiz de errado. E tantas outras coisas que precisei expurgar de mim, e ainda preciso. A jornada não é fácil. Muitos desistem da caminhada e desejam morrer para se ver livres do sofrimento. Morrer é a parte fácil. Talvez, nossa maior prova de coragem seja viver. Então, sejamos corajosos e vivamos…

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