Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens. –Frederich Wilhelm Nietzsche

Lembro-me que em 1995 surgiu uma cantora chamada Joan Osborne (conhecida como artista “one hit wonder”) e ela lançou uma música chamada One of Us, que tocou incansavelmente nas rádios do mundo todo e causou furor de alguns religioso, inclusive do Papa João Paulo II. Mexer com a religião é enfiar a mão em um vespeiro. Nietzsche soltou a pérola preferida dos fundamentalistas ateus, a famosa “Deus está morto”, mas na hora de morrer ele deve ter pensado melhor. Quem conhece bem a obra de Frederich Nietzsche sabe que ela se baseia na tragédia. Qual a conexão entre ambos? O que uma música esquecida tem a ver com um filósofo que viveu sempre no casulo? Tem a ver com nosso título. Efeito Ideomotor e um movimento involuntário causado por força externa a do objeto, muito estudado no espiritismo, por exemplo. Mas o efeito ideomotor que observo está na nossa zona de conforto, pois sendo criados com ideias pré-fixadas não aceitamos confrontos, taxamos logo de falta de respeito e lançamos mão da famigerada filodoxia apoiada por um discurso ad hominem que em nada influi a não ser na vontade de expurgar ideias contrárias a socos e pontapés…

Já deixei claro aqui minha posição acerca da religião, de como fui criado nela e do que penso a respeito hoje. Uma coisa me foi importantíssima: a dúvida. Exatamente este filósofo e esta música me fizeram parar um pouco para pensar se o que acreditava era de fato o que acreditava. A letra da música diz: e se Deus for um do nós? Só um tolo como nós? Só um estranho no ônibus voltando pra casa? Em 1995 tinha apenas 13 anos, estava em formação de ideias e pensamentos, mas esta música me deixou com uma dúvida por anos. Me afastei um tempo da religião, depois voltei, me afastei de novo, mas esta mexida no meu alicerce foi importante para moldar o que penso e se é, de fato, no que acredito. Hoje acredito Deus não por ser obrigado, mas porque cheguei a conclusão de que realmente é isto que faz sentido para mim. Muitas ideias mudaram de 1995 para cá, já não sou nem a sombra do adolescente que fui, espero ter evoluído e me firmado em algo sólido. Não quero acabar como Frederich Nietzsche e morrer em dúvidas, sequer acabar apenas em um casulo. Mas de uma coisa eu não abro mão: E Se?…

Eis a música…

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