Quando estava no auge da minha vida religiosa lembro-me de ter conversas infindáveis com algumas pessoas que sentiam dificuldades em vivenciar uma vida religiosa saudável. Percebi, depois que me afastei da religião, que muitas coisas ditas não deveriam jamais ter sido pronunciadas; algumas fizeram sentido e até alcançaram  seu propósito. Mas é impossível exumar cada palavra dita e analisar as que tiveram efeito positivo e efeito negativo sobre os ouvintes, afinal, cada um deve ter a capacidade analítica para filtrar aquilo que lhe faz bem ou não. Palavras são ditas de todas as formas a todo instante, e nossa única responsabilidade é deixar que as boas façam efeito. Pelo menos sei que não errei de todo, e alguma boa semente deu fruto. Mais uma vez a vida me surpreendeu. Apesar de toda ingratidão que muitas vezes temos de suportar, nem todas as pessoas se recolhem e, às vezes, quando mais precisamos a vida nos provê de pequenas surpresas e pequenas epifanias que mudam completamente nossa forma de enxergar suas vicissitudes. O ano de 2013 me trouxe algumas gratas surpresas, algumas bem ingratas e algumas neutralidades de certa forma irrelevantes.

Por estes dias entendi que, de fato, devemos tomar cuidado com nossas atitudes e nossas palavras. A frase “tudo vai passar” tem feito muito, mas muito sentido mesmo nestes dias. No auge da minha “tagarelice santa” passei um período conversando muito com alguém (que espero que se estiver lendo este post saiba que, apesar de termos nos afastado, ainda o amo como um filho), e foi surpreendente ver que uma semente brotou. Já fiz notório o dualismo que é minha vida, com tantas lutas, dores e mágoas, e depois de tanta decepção com as pessoas chegou o momento que simplesmente desisti de esperar compreensão. Mas a grata surpresa é que fui compreendido e, pela primeira vez, acreditei que exista algum cristão de verdade no mundo. Quase me tornei um Ghandi (para quem não conhece sua história, Ghandi não se tornou cristão por ter sido expulso de uma igreja cristã devido sua cor). Ghandi acreditava nos ensinos de Cristo, mas via os cristão (e não lhe tiro a razão) como uma moléstia. Mas mesmo no deserto encontramos vida. E um simples gesto pode sim renovar as forças de um homem. E o que pode parecer algo tão pequeno para esta pessoa que me compreendeu, para mim foi a salvação…

Bom, e para meu salvador Júnior deixo esta música 🙂

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