Tem momentos que a vida dá uma guinada tão inesperada que funciona como um agonista para aquelas pessoas que vivem um marasmo diário. Mas de repente tudo volta a ser como era antes. O que é preferível? Viver os dias em palpitações e adrenalinas ou a quietude e solitude de antes? A vida é uma incógnita e, sinceramente, acho difícil e ao mesmo tempo uma benção viver sem saber qual o próximo fato que vai me surpreender. Mais cedo ou mais tarde ele vai chegar e o máximo que posso fazer é subir um degrau de cada vez para não tropeçar o voltar para o começo da escada. Certo dia na faculdade, um de meus professores pediu para arrancarmos uma folha de papel do caderno e sacudí-la. Ele perguntou o que aconteceu, e dissemos que fez barulho. Obvio. Ele pediu para amassarmos a folha com vontade, e assim fizemos. Depois nos mandou sacudir a folha outra vez e perguntou o que aconteceu. Dessa vez apenas o silêncio. Ele nos disse que a vida faz isso conosco. Nos amassa e, depois de tudo, sobra apenas o silêncio. Você cresce, aprende, fica mais paciente, aprende a reclamar menos e a ser mais grato pelo que tem.

A anestesia que a vida nos dá muitas vezes não alivia a dor, mas é a própria dor. A vida definitivamente não faz sentido. Alguns encontram, outros não, mas quem pode julgar estas coisas? Acho a solitude uma benção na vida do homem. Solitude é diferente de solidão. Solitude é você ter um momento só seu, para suas reflexões, para seu autoconhecimento. Nossa vida corrida nos dias de hoje, mais que nunca, exige que tiremos um tempo para nós. Precisamos nos sentir. Nem sempre estar anestesiado faz bem. Precisamos sentir o impacto daquilo que vivemos, precisamos sim degustar cada dor, cada decepção, cada desgosto. Nem sempre o melhor alimento é o mais saboroso. Não estou dizendo que devemos encher nossa alma de amargura, mas muitas vezes o melhor remédio que temos é um tapa bem dado no meio da cara para criarmos vergonha e aprendermos de vez que nada é e nem deve ser como pensamos, mas devemos lutar dia após dia para conquistar o que é melhor e vai me fazer chegar mais longe! Nem sempre consigo, mas aos poucos, lentamente, consigo aprender que posso ter uma vida linda apesar de todos os percalços que enfrento. Não é fácil, muitas lágrimas rolam, são demônios que enfrento todos os dias que com suas caras feias me aterrorizam, mas eu decidi que eles não vão me derrotar.

Ah! A anestesia… muitas vezes ela vem em formas de palavras, doces ou amargas, às vezes vem em forma de um Johann Sebastian Bach, às vezes numa bela borboleta azul que pousa na minha janela, ou então no teto do meu quarto, quando deito e fico encarando-o por alguns minutos. Cada um deve achar o caminho que lhe traga felicidade. Aprender a viver estes dias está tão difícil, substituímos o que mais importa pelo prazer momentâneo, e quando as decepções chegam, porquê elas vão chegar, não sabemos o que fazer. O Temporas o mores! Tenho medo de onde vamos chegar, de verdade. Será que iremos longe? Bom, mas enquanto estamos aqui precisamos marchar, como dizia Cazuza, o tempo não pára. Então não pare no tempo, ele não vai perdoar. Não sei se soo verdadeiro, mas preciso engolir este aforismo a qualquer custo: Menos lamento, mais ação! Vamos dar valor ao que realmente importa: a vida!

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