Mas aqui não existem juízes. É só a guerra, guerra sem fim, e o máximo que a gente pode fazer é tentar não estar do lado errado. Mas quem, em nome de Deus, sabe qual é o lado certo? –Bernard Cornwell, 1356

Viver é sofrer, isso tem sido um axioma para muitas pessoas. Acordar em um dia chuvoso e tentar ter esperança de que dias melhores virão não é suficiente. A esperança escorreu pelos dedos e só nos resta inventar uma forma de sobreviver. Não, não é apenas lamento, é dor, pungente e tangível, de quem já não sabe mais o que fazer. Nós só temos paz quando nossos inimigos estão cansados demais para fazer guerra, só que o inimigo da maioria das pessoas é invisível, intangível, insensível… Senhor, viver da medo! Não que o medo seja desnecessário, afinal, ele nos dá limites, mas medo a ponto de você derramar sua alma como água corrente não pode fazer bem algum. Tenho sentido uma falta de esperança tão forte no meu coração. Me pergunto, pergunto a Deus por quê? Por que não consigo mudar, por que não consigo correr atrás de algo diferente? Qual o motivo? De novo, e de novo. Algumas vezes tento fazer de conta que não tenho problema, mas isso não o faz desaparecer. O futuro é apenas uma sombra, e como diria Pablo de Queiroz, tenho saudades daquilo que não vivi…

Penso na morte todos os dias. Ela nos espreita tão de perto, a vida é tão frágil, tão descartável. Sinceramente, sinceramente mesmo não há um dia que não me questione pra que existimos. Se tudo vai acabar, pra que, por Deus, eu precisei nascer, eu precisei existir, e existir para mim tem sido o mesmo que não existir. Por que existe algo? Por que não o nada. Uma existência vazia de significado não vai fazer de mim uma pessoa melhor. Me falta entendimento para tantas coisas. Queria ser capaz de ter um breve deslumbre que fosse do significado da vida, quem sabe eu pudesse mudar algo. A religião tenta dar estas respostas, mas francamente, quando eu era evangélico me sentia mais perdido que hoje. Não deixei de acreditar em Deus e me forço todos os dias para acreditar que Ele tenha algum propósito, mas não posso ser falso ou leviano com meus sentimentos (o que, na verdade me fez abandonar a Igreja, já que não conheço um evangélico ou católico capaz de ser sensível a dúvida alheia), não consigo ver sentido. O que vejo é uma guerra, e sinceramente, não sei se luto do lado certo. Só sei que estou ferido e sangrando como muitos no campo de batalha que é a vida. Só espero estar inteiro ao fim da guerra.

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