Viver é sofrer, sobreviver é encontrar algum significado no sofrimento. –Paul Hoffman, em ‘O Bater de suas asas’

Ainda pensando nas palavras do autor ai em cima, tem uma frase neste mesmo livro que diz: o suficiente é como um banquete para o sábio. Viver dói. Simples. Eu 4hbcawtento sobreviver, e sim, tenho conseguido. Simplesmente não me sinto banqueteado e, se de fato o que nosso querido autor supracitado disse é verdade, não sou sábio, muito pelo contrário. Ainda busco o que não posso ter, ainda sofro pelo desconhecido e muitas vezes desprezo aquilo que está diante de mim. Mas, sejamos sinceros, quem, de fato, sabe aproveitar cem por cento daquilo que lhe vem à mão? Ninguém consegue. Mais uma vez estou a pensar nas vicissitudes da vida, e mais uma vez estou a me surpreender com as voltas que ela dá. O que mais me deixa comovido são as perdas que enfrentamos na vida, seja aquele brinquedo especial na infância com seu valor intrínseco, seja o primeiro amor da adolescência, até a perda mais cruel e inevitável de todas, a morte de alguém a quem amamos. As podas são mais que necessárias, mas vou ser sincero, apesar de sentir-me aliviado pelos fardos que consigo, com muito custo diga-se de passagem, me libertar, odeio estas podas. Ninguém está de fato preparado para mudanças, principalmente aquelas peremptórias que a vida resolve nos dar. Há alguns dias estava olhando fotos de infância, lembrei do tipo de garoto que fui, tinha um sorriso fácil, uma gargalhada solta e sempre uma palavra na ponta da língua… Não que hoje eu esteja em silêncio, mas o sorriso e a gargalhada se foram, poucos são os que me veem rir de verdade. Acho que isso acontece com todos nós, afinal, crescer nos modifica bem no âmago, na nossa essência. Modificar a essência é modificar todo nosso ser. Bauman defende que as mudanças sociais (e entenda-se aqui o “sociais” exatamente sendo o nosso contexto social), nos modifica por inteiro, inclusive o corpo. Duvida? Pense em quantos que sentem-se oprimidos neste momento e descontam suas frustrações na comida, ou aquelas pessoas que para serem aceitas esculpem seus corpos plastificando suas aparências e seus corações em troca de um afeto efêmero de seres tão vazios de autoconhecimento quanto elas mesmas… Eu prefiro me conformar. Acho que quem tiver de me aceitar vai ter que Solitário tristeaceitar como sou. Não sou um produto, me recuso ser transformado em um, mas, de verdade, é difícil aceitar-nos se não somos aceitos pelos outros. Afinal, somos seres sociais e dependemos sim da aprovação de outros. Se não da maioria, mas daquelas pessoas que fazemos nosso alicerce, nosso paradigma. Há pouco ouvia uma música cuja letra diz: son, sometimes it may seem dark, but the absence of the light is a necessary part (filho, às vezes, pode parecer escuro, mas a ausência da luz é uma parte necessária). A verdade é que conhecemos o bem por causa do mal, a luz por causa das trevas, e o prazer por causa da dor. Psicologia e lógica, quem sabe também uma pitada de paixão nestas humildes palavras. Esse maniqueísmo pode nos tornar fortes ou pusilânimes, a escolha é pessoal. Mas, será que há escolha? Para muitos não há, pois a dor é amiga íntima, diária e inevitável…

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