mente-livre-224x300Ultimamente parece que as pessoas andam sentindo calor por fora e frio por dentro. São dias que não sabemos o que esperar da humanidade, não sabemos como agir em relação ao próximo. Problemas psicológicos são lugar comum para muitas pessoas. Síndrome do pânico, depressão, ansiedades. Olhamos para todos os lados procurando uma caverna aonde nos esconder e conseguir respirar aliviados, longe das tensões que nos cercam. A vida anda se tornando um drama, como uma locomotiva desgovernada, só que nesta história não há um mocinho que freie o trem. Não há respostas fáceis para a nossa sobrevivência nem acredito que elas seriam úteis, mas há um momento em que precisamos nos desligar de tudo para podermos suportar a estrada da vida. A vida é um momento curto, e acredito que devemos passar por este momento da forma mais solene possível. Como é difícil viver escravo do medo e da tensão. Erguer a cabeça é o que nos resta. Gosto das palavras de Sêneca:

A magnanimidade é uma virtude apropriada para todo ser humano, até para o mais baixo entre os mais baixos. Afinal, há grandeza ou coragem maior do que derrotar o infortúnio?

392987_148386251977329_1837350701_nFreud pregava a busca da felicidade como algo pessoal, onde cada um deveria achar seu caminho. A vida sempre se compara a uma estrada, com suas paisagens e seu vales profundos. Algumas estradas nos dão motivos de sobra para querer morrer, mas o triunfo estar em achar motivos para viver quando tudo está em trevas. Fugir dos pensamentos que nos arrastam para o fundo do poço é achar um meio de ser feliz, não por causa das condições (que nem sempre serão propícias), mas apesar das condições. A morte espera a todos nós, e é difícil não temê-la. Eu temo, e muito. Temo porque não a compreendo, e costumamos temer o que não compreendemos. Nasci com ideia de que a existência é banal, insípida e sem propósito. Nascemos em pé de guerra com o mundo. Mas reconheço que preciso fugir deste pensamento, senão ele se tornará profético, e minha existência de nada valerá. Não é necessário filosofias profundas para entender que eu faço a minha história. Mas voltamos ao princípio desta reflexão: quem garante que sabemos o que fazer de fato? O que nos resta é tentar. Tentar fazer diferente, mesmo que o medo seja maior que a vontade, não podemos deixar que ele subjugue nossa força. Uma leitora verta vez comentou em uma postagem que o medo é a trava da vida. Ela sintetizou de forma exata. É impossível não sentir medo, a vida e todos os seus meandros são maiores do que qualquer coisa que possamos conter, dentro ou fora de nós, mas precisamos perceber que o medo pode sim ser subjugado. Aliás, acredito que o medo faça nossas vitórias mais doces, e as derrotas que passamos na vida nos oferecem as lições mais preciosas que receberemos nesta existência. Nem sempre fugir será possível, enfrentar a vida não é uma escolha; às vezes a fuga é necessária, ela nos evita grande sofrimento. Fugir nem sempre é covardia, algumas vezes é estratégia de sobrevivência. Mas o embate, seja ele qual for, estará sempre a nossa espera. A vida não vai esperar você estar pronto para a luta, destarte, esteja sempre alerta.

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