Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Eclesiastes 9.5

morteDe todos os temores que tenho existe um que me aterroriza. Exatamente, o maior de nossos inimigos, o invencível terror que acomete a cada ser vivo que pisa na terra, inexorável, implacável, insensível: a morte. Pensei em vários títulos para esta postagem mas não consegui nenhum que se adequasse ao que penso sobre a morte. Tenho muitos temores, mas confesso que o medo de morrer é o maior de todos. Sei que não vencerei a morte, ela é maior que todos nós juntos. Mas posso vencer o medo dela. Já imaginei como seria viver para sempre, literalmente, e minha imaginação não conseguiu alcançar outro pensamento que não o pensamento da angústia de caminhar em um vazio que é a existência humana. Me questionei muitas vezes por que existir se vamos cessar de existir um dia. Por que a morte tem que ser o complemento da vida? Por que a vida é um breve momento e nada mais? Poucos conseguiram deixar um legado para a posteridade, e pessoas como eu cairão no esquecimento pouco tempo depois que deixar esta existência. Não há um dia em que eu não pense na morte, não há um dia em que eu não pense como cessarei esta jornada e o que há depois. Como fui criado na tradição cristã, fui ensinado sobre a vida após a morte, sobre um paraíso eterno para aqueles que seguiram as regras e um lugar de tormenta para aqueles que a transgrediram. As dúvidas que tenho não são aceitáveis no sistema religioso evangélico, o qual fui criado mas do qual já não faço parte. Logo, como sanar minhas dúvidas se mal posso expressá-las? Como exterminar um medo que me domina sem criar outros que o substituam? Deveras sinto arrepios de externar tais temores, não sei se reflexo do meu já fragilizado psicológico em relação a este tema, ou se reflexo dos ensinamentos que recebi ao longo da vida. A única coisa que sei é que a morte é inevitável.

esculturas_cemiterio_02Acredito que um dos maiores problemas em nossa sociedade tratar da morte seja o medo também, bem como a busca incessante que temos pelo prazer ao invés de encarar a dor. Adiamos os pensamentos sobre o tema, aqueles que tratam deste tema são mal vistos, tachados de pessimistas, agourentos e outros nomes estúpidos. Mas quando encaramos a morte de frente buscamos desesperadamente por respostas, nossos medos vêm a tona. Acredito que você meu leitor já participou de um velório e provavelmente saiu dele imaginado como a vida é frágil e, de certa forma, agradecendo por ter a chance de viver mais um pouco e tentar fazer as coisas da maneira correta. Eu já. E confesso que se não fosse o medo constante, eu esqueceria da sensação e levaria a vida desregrada que tanto agrada aqueles que a vivem. Afinal, quem em sã consciência recusa uma boa dose de prazer? Religiões, filosofias, livros de autoajuda, conferencistas e afins tentam explicar o que é a morte e como superá-la. Aqueles que hoje se encontram em um leito de hospital com uma quadro irreversível talvez percam o sono pensando que podem não atravessar o dia. As pessoas que têm uma característica mais sorumbática como eu pensam diuturnamente como será sua passagem, se dolorida ou tranquila. Eu imagino se vou ter uma nova chance, um novo dia. Estamos cercados de fatos que nos esfregam a face que a qualquer momento pode ser nosso último. Eu me questiono: será que estou no caminho certo? Ah!… Que temor persistente que faz meu coração palpitar cada vez mais forte a cada novo pensamento! Uma professora minha certa vez disse que a morte é o complemento da vida. Acho que só nos resta nos adequar a ideia, dar o melhor de si, colher os resultados e no último suspiro, poder dizer que fomos o melhor que pudemos ser. À posteridade caberá o resto.

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