clamor-angustiaFalar de nossos medos para psicologia é algo positivo, já que você se livra daquilo que lhe sufoca, lhe deixa tenso. Mas infelizmente nem todos temos acesso a um psicólogo, e para as demais pessoas aturar os problemas dos outros é motivo suficiente para manter distância, o que pode nos deixar frustrados. Esse é o motivo de muitas pessoas vestirem uma capa de felicidade mas no fundo de suas almas estarem amarguradas e presas a um peso dentro de si muitas vezes insuportável. Deveras tenho me sentido assim. São momentos em que ora estamos bem, ora estamos mal, e essas variações ocorrem diversas vezes não ao longo dos meses ou dos dias, mas várias vezes dentro de um dia, diuturnamente. Medos são caçadores exímios e sanguinolentos, e se não formos presas astutas seremos massacrados. Várias vezes aqui no Exalando a Alma tratei de medos, daqueles que eram, que são, e dos que podem vir e ainda daqueles iminentes. Não apenas medo, mas dualidades, no meu caso entre o cristianismo e a homossexualidade. Um dos medos que mais me afligem é o medo da morte. Sei que é tolice temer a morte, definitivamente não há como evitá-la. Começamos a morrer no momento em que nascemos e, para mim, este é o grande paradoxo da vida. Outro medo que tenho é não entender o por quê de existir. A existência do tudo, do universo, da vida, do cosmo me intriga muito. Por que existe algo ao invés do nada? Absolutamente ninguém tem resposta. Por que alguns tem tanto na vida e outros padecem horrorosamente? Por que empatia se tornou um item raríssimo e luxuosíssimo em nossa sociedade? São muitos os questionamentos que carrego dentro de mim e sei que não sou o único. Hoje tem sido difícil me sentir bem. Meus dias se resumem a pensar no meu futuro, a tentar fazer algo para mudá-lo e simplesmente não obter êxito nenhum. Lassidão levou-me a ser um procrastinador compulsivo. O medo me levou à paralisia. Já tive depressão, é um poço fundo. Não sei como saí dele, mas não me afastei deste poço. Ainda caminho nas suas bordas e, apesar de balançar muitas vezes, tenho conseguido manter-me equilibrado.

dsc09850Para mim a melhor parte do dia é quando chega a noite e consigo dormir. Dormir e esquecer que existe uma vida cheia de dificuldades a serem superadas. Não me julgue caro leitor, não estou apenas lamentando. Eu tento. Acordo todos os dias, estudo, procuro emprego, respiro fundo, sorrio mesmo sem motivos. Mas quando tenho que encarar meus sentimentos eles pesam. Às vezes estou no alto da roda gigante e vislumbro um horizonte tão belo, mas logo ela desce e encaro um vale de lágrimas. Rodas gigantes se movem sem sair do lugar e sei que muitos estão presos a uma. Muitos como eu estão cheios de questionamentos, buscando respostas enquanto outros já desistiram e esperam apenas o fim desejando que ele não seja tão amargo e doloroso. Outros mantém a esperança que tudo mudará e outros trabalham para mudar tudo. Eu apenas me encontro no limiar das opções. Para quem aprendeu a controlar seus medos é fácil dar uma resposta. É muito fácil encontrar a solução. Mas soluções não caem prontas, muitas vezes precisam ser fabricadas, precisamos descobrir as ferramentas certas, a técnica menos agressiva. Além dos temores que descrevi, há o dualismo que vivo. Acredito em Deus, acredito na Bíblia, mas já não acredito que há solução para o que vivo. Queria poder assumir logo que sou homossexual, mas ainda tenho muito a perder. Queria poder dizer meu nome verdadeiro neste blog e estampar minha foto e simplesmente dizer “este sou eu”, mas o preço é alto demais e não tenho como pagar. Tenho um verdadeiro trauma de evangélicos. Hoje para mim eles representam o que tem de pior na humanidade ocidental. Claro que há exceções, mas são poucas. Queria realmente obter ajuda para meus dilemas. Não quero respostas niilistas, de pessoas que simplesmente desprezam aquilo que tenho dentro de mim. Então muitas vezes só me resta o silêncio. E com o silêncio vem o sufocar da alma. O que fazer? Eu não sei. Hoje estou novamente desconexo… Perdi a linha por causa das lágrimas que me turvam a visão. Estou começando a aceitar que a vida não deve ser vivida em busca de compreensão, mas de aceitação. O difícil é aceitar aquilo que levo comigo. Seja como for, ainda quero acreditar que enquanto há vida há esperança, mesmo que ela pareça distante. Se eu não perecer, quero acreditar que um dia a alcançarei…

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