Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana… Mas o quê? -Antoine de Saint-Exupéry

A-Lista-De-Schindler-Blu-rayJá disse aqui no Exalando a Alma o quanto gosto das histórias da Segunda Guerra Mundial. Já li vários livros a respeito e já assisti a vários filmes e séries de TV. Um dos livros que li se chama A Vida Em Tons De Cinza, da Ruta Sepetys, que é um romance histórico tomando por pano de fundo a situação dos lituânos levados para os Gulags na Sibéria. O booktrailer é tocante (se você clicar no link no nome do livro você encontrará o vídeo, recomendo que você assista), e retrata a luta, muitas vezes desumana, pela sobrevivência. Outro filme que me leva as lágrimas cada vez que assisto é a Lista de Schindler, que mostra de forma realista e visceral o sofrimento e a luta pela sobrevivência do povo judeu e de como um homem com força de vontade pode fazer a diferença e se colocar acima de um sistema cruel. Pelo que já li e estudei sei que a maioria do povo na Europa e Estados Unidos não estava se importando com a situação dos judeus. A importância e o impacto que o holocausto causa hoje não foi sentido naquele período, a não ser por aqueles que sofreram direta ou indiretamente com a matança feita pelas forças do eixo (que eram a Alemanha, Itália e Rússia). Mas o ponto a que quero chegar é exatamente qual a importância que damos hoje a vida? Assistindo a Lista de Schindler, uma das personagens diz “uma hora de vida ainda é vida”. Isso resume o apego que eles tinham ao que lhes restava, já que todos os bens e sua própria liberdade haviam sido tirados deles. Infelizmente, muitas vezes, só sabemos valorizar algo quando perdemos, e percebemos a importância que aquilo possuía em nossa vida. Ainda tem sido assim nos nossos dias. Buscamos ter ao invés de ser, buscamos o efêmero e fugidio ao perene. Qual a importância que temos dado a nossa vida? Gosto das histórias da Segunda Guerra porque além de mostrarem o que há de pior na humanidade, ela também conseguiu mostrar o que há de melhor, pois sim, sabemos ser nobres em face ao horror. Estas duas obras que citei mostram bem isso. Pessoas que levavam suas vidas, viviam suas rotinas até que de repente seus mundos foram assolados e seus alicerces destruídos, e não lhes sobrou outra opção a não ser lutar.

life-e1348973046829Eu já tive depressão. Não uma forte a ponto de precisar de remédios, mas uma amarga o suficiente para me fazer cogitar em dar fim a própria vida. Tive medo. A Morte não é algo ou alguém com quem devemos brincar, ela é velha demais para perder tempo nos dando chances. Tenho refletido muito sobre a importância da vida e do que posso fazer neste breve momento que estou aqui. Não tem sido fácil. Será que tenho valorizado as coisas certas? Será que tenho amado de forma satisfatória? Será que tenho vivido de forma correta? São muitos questionamentos e uma vida inteira para refletir sobre eles. O problema é que a vida não é tão longa para poder encontrar todas as respostas. Lutas, decepções, dificuldades, vicissitudes. São problemas que nos assolam constantemente e devemos estar preparados, pois viver é guerrear, e esta guerra não tem fim. Se nosso coração se despedaça o mundo não vai parar para que possamos remendá-lo. As pessoas que mais amamos muitas vezes são tiradas de nossas vidas num instante, não nos dando tempo de entender o que aconteceu. Há um mantra budista que diz “trate a todos com gentileza pois cada pessoa que você encontra enfrenta uma luta que você desconhece”. O que conhecemos por filosofia no ocidente, no oriente se chama de sabedoria por ter um cunho religioso por trás. Mas este é um fato. A história já nos presenteou com desgraças demais para simplesmente fazermos de conta que estamos seguros. Não estamos. O que tem sido relevante para você é o que realmente importa? Busque suas respostas, mas não perca tempo cogitando muitas coisas. Ninguém sabe quando será seu momento final, devemos estar todos preparados, pois como a Bíblia diz, a vida é um vapor, hoje existe e amanhã se esvai. Mas que possamos ser nobres, mesmo em face ao mal que nos rodeia, nós podemos sim. A história também tem nos presenteado com personagens ilustres e muitas vezes, anônimos, que souberam fazer a diferença, pois sabiam exatamente o que era relevante para eles. Homens que fizeram o que tinha de ser feito. Mulheres que se colocaram acima de sua dor. Não sei se tenho forças, mas posso ter esperança. E a minha esperança ninguém pode roubar de mim!

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