sindrome-do-pc3a2nicoA vida é amarga. Francamente não sei pra que existimos. Vivemos buscando motivos para sorrir e quando achamos geralmente são coisas fugidias e perdemos o sono tentando mantê-las. Nos matamos trabalhando para comprar coisas que não precisamos para mostra para quem não se importa, perdemos nossa saúde para ter tudo depois perdemos tudo tentando recuperar nossa saúde. Tentamos prolongar a vida por medo da morte e quando chegamos na velhice só queremos que ela acabe logo para recebermos o tão esperado descanso dessa jornada insalubre e sem futuro chamada vida. Sim, o futuro é a morte, eterna e silenciosa. Neste meio tempo que estamos aqui temos que descobrir se estamos de fato no caminho certo, um caminho recheado de incertezas, e quando encontramos alguém que tem certeza de algo geralmente é um fanático religioso que está mais apto a te matar do que te mostrar um caminho de paz. Certezas… Elas existem de fato? Acho que fui contaminado pelo pensamento pós-moderno. Ah! Como estou cansado desta vida. Mas como tenho medo de morrer e descobrir que estou no caminho errado. E seu eu passar a eternidade queimando no inferno? Visão aterradora. Injustiça. Dúvida. Minha boca jorra fel, sei disso. Tento desfocar desta visão de negatividade, mas sempre acabo voltado ao mesmo lugar. Não sei se há esperanças para alguém como eu, ela parece pura tolice. Pra que acreditar que tudo vai dar certo num mundo como esse? Pra que erguer a cabeça quando lá na frente sei que vou acabar tendo que baixá-la de novo, já que o peso que tenho que suportar não me abandona. Acordar todos os dias e colocar uma máscara de felicidade, falsa e dúbia felicidade, pode nos ajudar a suportar um pouco, esquecer da dor quando nos olhamos no espelho usando a máscara, mas quando chega a noite e precisamos nos despir de tudo e voltar a sermos nós mesmo, a dor volta, e muitas vezes a máscara deixa suas marcas, e dia após dia ela vai marcando cada vez mais fundo. Chega o momento que começa a latejar e nada mais consola. “Tudo passa, difícil é saber o que sobra” diz a letra da música. Fato. E o que sobra será suficiente? Rubem Alves disse certa vez que Deus protege uns e outros não, apenas. Ai que sorte. Quem dera, como dizem meus consoladores, que um carro, uma casa, um pouco de dinheiro no banco pudesse trazer felicidade. Mas tolos idiotas e obtusos, não sabem o que dizem. Que não haja perdão para eles. Indulgência é para os arrependidos de fato, não aos que se acham donos da razão, razão que falta à vida. Nada aqui faz sentido. Nada aqui parece ter rumo certo. Se a vida fosse um fluxograma fácil de seguir poderia ser monótona, mas pelo menos nos traria segurança. Foda-se, tudo tem um preço mesmo. Mas nada disso acontece. O absinto dentro de mim hoje é puro ódio, ódio por viver fora do que escolheria para mim. Maldito o dia em que nasci, em que anunciaram “nasceu um menino”! melhor seria nem escrever estas palavras, mas sufocá-las dentro de mim seria suicídio. E se for pra morrer, que seja lentamente, quem sabe estou errado e tudo muda no final. Quem sabe…

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