vidaemorteDepois de alguns meses sumido, depois de pensar em desativar meu blog, estou aqui novamente para falar mais um pouco dos meus sentimentos. Não sei porque mas nesse momento estou com aquela música do Rosa de Saron que diz: “me sinto tão perdido aqui, deixei pra trás o que mais importava. Eu não consigo mais ouvir a voz que me empurrava.” Pois é, algumas coisas na vida mudam, mas o que sinto por dentro não. E há um agravante para meu estado psicológico, que é a violência na cidade em que vivo. Já não suporto mais pensar em tudo de ruim que está acontecendo por aqui, na minha cidade, no meu estado, no meu país. Não sinto esperanças, sinto medo. Botei na minha cabeça que preciso me desapegar dessa vida porque mais cedo ou mais tarde ela vai me deixar. Preciso aprender a não ter medo, afinal, nada aqui é pra durar, nem mesmo a aparente paz, nem a aparente tormenta. Sinto medo, sinto angústia, sinto incerteza, mas ainda estou vivo, preciso pensar mais nisso. Depois de tanto tempo longe do blog, acabei perdendo um pouco a habilidade de escrever, não sei nem se deveria continuar. Ah! Quisera houvesse alguém para me dizer as palavras certas, que pudesse aliviar a tensão dentro de mim. Sinto que simplesmente existo por existir, isso não é uma passagem grata por essa vida. Há três coisas em que penso todos os dias, sem excessão: Deus, futuro e morte. Deus é um tema que me gera muitos conflitos. Será que tudo em que acredito de fato está certo? E se Deus for exatamente o que os ateus dizem quem ele é, uma construção humana para suprimir uma necessidade nata, um objeto para jogarmos nossos medos e frustrações, um amuleto da sorte em que nos apegar nos momentos mais negros da vida? E se eu acreditar nisso e descobrir tarde demais que Ele realmente existe e que todo o plano dele para salvar a humanidade é real e eu de algum modo desperdicei a chance de salvar minha alma? Eu acredito na existência de Deus sim, não acho que nossa existência aqui seja vazia e sem propósito, mas confesso que meus pensamentos passeiam entre a dúvida e a fé. Ainda mantenho o costume de orar, não sempre. Às vezes simplesmente não sei o que dizer. Acho que minha falta de fé tem me prejudicado. De alguma forma eu sei que existe um Deus no céu, não é algo que se explique, é fé. Quando entro na questão Deus, tento vê-lo como a Bíblia o descreve. Aí entra o grande conflito que rege toda minha dúvida: a homossexualidade. Questiono Deus por que nasci gay (se você não acredita que alguém nasça assim pesquise quem decidiu virar gay e vai descobrir que estes são os verdadeiros inexistentes da história). Me questiono por que eu corro o risco de ser condenado por algo que nem escolhi. Por que eu tenho que lidar com algo tão difícil de entender? Ouvi muito que Deus permitiu isso pra minha vida pra que eu possa ajudar a outros lá na frente. Não sei se acredito nessa teoria, pois eu ainda não encontrei respostas e não sei nem como me ajudar. Peço misericórdia a Deus todos os dias. Cada vez que tenho uma relação é inevitável o sentimento de medo e culpa que me toma, a culpa é muito forte. Acordo todos os dias e peço a ele que não me deixe sair dessa vida sem minha salvação. Aprendi na igreja que duvidar da salvação é o caminho mais rápido para perdê-la, e isso me assusta. A bíblia mesmo diz que não devemos duvidar.

solitárioA dúvida me leva a outro problema: o futuro. Tenho pavor do meu futuro. Penso, se eu envelhecer, quem cuidará de mim, como será minha vida, se serei um velho doente, se terei alguma qualidade de vida. Confesso que tenho muito medo de envelhecer. Tenho guardado algum dinheiro hoje para poder pagar alguém para cuidar de mim nestes dias que prenunciam nossa partida dessa vida. Não quero ser solitário, tenho medo da solidão. Vivemos dias tão maus, é bom ter alguém com quem contar e ser esteio para alguém também, afinal, não devemos querer apenas o bem para nós, mas devemos ser bondosos com os outros. O futuro é uma criança desconhecida, não sabemos seu rosto, não conhecemos seus caminhos e ninguém pode nos afirmar nada a respeito dele, pois ninguém o trilhou. Podemos ter um vislumbre baseado naquilo que vivenciamos hoje, mas as voltas que a vida dá podem simplesmente cegar-nos aponto de nos perder. Eu planejei tantas coisas para mim e absolutamente nada do que planejei deu certo. Agora eu sei que o futuro me levará inevitavelmente à morte. Afinal, como diz a música: a vida é o caminho, a morte o destino. E dela ninguém escapará. A morte encerra ciclos para que outros comecem e assim a própria vida seja perpetuada. Certo pensador afirmou que o medo da morte moveu a humanidade até aqui, o medo que os homens têm de serem esquecidos os fez trabalhar para gravarem seus nomes na história. Mas, depois que eles partiram, o que lhes restou. O silêncio eterno, nada mais. A morte me faz pensar na existência em si. Preciso me apegar com Deus e crer de fato que exista vida após a morte, em um lugar melhor para aqueles que souberem fazer as escolhas certas ou, pelo menos, as mais sensatas. Tenho medo das minhas escolhas. E se eu morrer em pouco tempo, para onde irei? Deus, por favor, tenha piedade de mim. Eu estou com tanto medo, tanta angústia. Se alguém souber como posso me apegar mais a Deus e resolver meus conflitos, gostaria de ouví-lo. Não é fácil viver, mas é bem pior não tentar…

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