Jogue fora as luzes, as definições.
Diga o que você vê na escuridão.

Wallace Setevens

Dark-Road-dark-road-1366x768Confesso que tenho medo do escuro, ele me sufoca, me paralisa, me deixa sem rumo. Pior é estar no escuro e sem som algum para me dar uma direção. Assim tenho me sentido ultimamente. Um medo, um terror psicológico que já não sei o que fazer. Preciso de ajuda, não sei a quem recorrer. Psicólogos poderiam me direcionar, mas não sei se seria apenas um paliativo para minha luta. Por Deus, quero ser salvo, mas como diria o poeta, nem todos podem ser salvos, ha feridas muito profundas. Já não consigo esconder a dor que sinto daquelas poucas pessoas que ainda estão perto de mim. Queria poder confiar em alguém, pedir uma ajuda, mas não consigo olhar nos olhos de mais ninguém e confiar. Talvez esteja exagerando, talvez mude de opinião logo, ou ainda pode ser que alguém apareça e transforme tudo. Mas é difícil viver um dilema na sua vida. Eu tenho sentido uma necessidade absurda de me apegar a algo maior que eu. Penso em Deus todos os dias, acredite, não uma um turno durante o dia, um dia durante a semana em que eu não pense em Deus, e em o quanto necessito dele. Mas o dilema que vivo, o medo de não conseguir tomar as decisões certas, o medo de não ter tempo de ajustar as coisas me deixa paralisado. Aí me encontro em trevas. Eu penso também em como a morte é atraente nessas horas, terminar tudo seria um alento, mas confesso também que tenho medo de morrer no estado em que me encontro. Acredito na Bíblia, sei que há algo mais depois disso aqui, e não quero selar minha eternidade num mar de sofrimento. Minha cabeça dá um nó toda vez que cogito o além.

quarto-escuroOro quando tenho forças. No estado em que me encontro o melhor que posso fazer é me despir de preconceitos, assumir quem sou, assumir o que quero ser, perceber que minha vida não me agrada, que ela é um fardo que tenho que suportar e ver até quando, o quão longe consigo ir nesse estado. A vida é uma algometria onde até os fortes sucumbem no final. Não há anda o que fazer. Existimos para em breve sairmos de cena e dar espaço às novas vidas que surgirão. Nosso papel é deixar uma história de exemplo às novas gerações. Mas sinto que falho nesse sentindo. Queria muito poder assumir que sou gay. Queria que meus familiares entendessem que isso não é uma escolha, que preciso de ajuda despida de preconceitos e julgamentos sem contexto. Mas sei que isso não ocorrerá. Sinto-me pressionado no círculo de amizade, no trabalho, na família. Tenho vergonha de quem sou. Quando deito a cabeça no travesseiro não consigo sentir esperança nem consolo. É como se meu coração estivesse eternamente de luto. É como se simplesmente eu não tivesse direito de ser quem sou. Ah! Por que a vida dói dessa forma? Eu não pedi pra nascer! Eu não queria correr o risco de ser condenado por algo que não escolhi! A condenação começa nessa vida, quando você sofre as consequências sem saber o por quê de tudo. Quisera Deus em uma oração eu poder mudar tudo, mas sei que não será assim. Tenho que entrar nessa floresta escura que é a vida e aprender a sobreviver. Quem sabe os danos da caminhada se tornam recompensar num porvir distante…

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