DepresyonJá faz um tempo que não escrevo. Ultimamente tenho fugido, na verdade, de expor qualquer sentimento meu. Sei lá, parece que não resolve. Das coisas mais constantes que me afetam a ansiedade e o estresse são as mais fortes, um medo irracional (ou não) do futuro. Antigamente eu ficava divagando a respeito das pessoas que escondem seus sofrimentos. Eu era mais expressivo, transparente quanto aquilo que sentia. Achava ignorância esconder o peso do sofrimento. Hoje tenho feito exatamente isso e sabe por quê? Ninguém se importa. Reclamar da dor é dar um grito ao vento. Meu coração sofre demais não encontrar alguém com empatia pra me ajudar nas horas mais duras. Eu não sei o que é alegria faz tempo, mas também já não tenho sentido tanta tristeza. pode parecer algo positivo mas acredite, não sentir nada é bem pior. Você se sente um mero saco de ossos vagando por aí. Nada mais da prazer. Há muito tempo sinto dores no corpo, problemas diversos de saúde que resolvi procurar vários especialistas. O último que fui foi um clínico geral, e nas palavras dele se eu não resolver meus problemas psicológicos morrerei cedo. Falou assim, curto e grosso. Sei lá, de repente não é uma notícia tão ruim. Tanto tempo se sentindo vazio que cheguei a conclusão que não tenho nada a lamentar. A vida é apenas um caminho, a morte o destino. Tenho medo de morrer. Não sei o que tem do outro lado. Quando comecei este blog era mais visceral nas minhas palavras; com o tempo elas arrefeceram. Mas no fundo eu percebi que os sentimentos não. E quantos contatos recebo de pessoas que se lamentam dos mesmo males, meu Deus! É muita dor nessa existência. Grito socorro! Por favor, se alguém ouvir não precisa suportar meus lamentos, apenas lembre de mim em suas orações. Já não tenho lágrimas pra lavar a alma, e minha alma está suja, enlameada, ensanguentada… Ah! O tempo escorre pelas minhas mãos e eu não faço ideia do que fazer com ele. Não iniciei estas palavras sentindo tanto peso em mim, mas conforme discorro aqui sinto um aperto no meu peito, uma pontada de dor por tudo aquilo que sonhei e não aconteceu e me faz lamentar dia após dia a minha existência. Sofro, não porque queira. Sou obrigado a sofrer. Talvez você que lê estas palavras ache um exagero, mas acredite, não é. Lembro de quando era criança, que sonhava em ter uma família, uma casa, um carro, e poder viajar e ser feliz com minha mulher e meus filhos. Mas aí veio a adolescência, a descoberta da homossexualidade, o aprisionamento das minhas vontades, a violência que meu pai praticava contra mim e tudo ruiu. Não consegui ficar de pé. Não consegui dar a volta por cima. Sou um cara de 34 anos que ainda mora com a mãe tem um emprego de merda e nenhuma perspectiva. Não sei viver. Não sei. Talvez tenha desistido. Talvez haja uma segunda chance. Talvez…

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